Arquivo da categoria Unidade Pastoral

Folha paroquial – Domingo III do Advento

Pode descarregar a folha aqui.

Celebramos hoje o domingo Gaudete, ou da alegria, típico do 3º Domingo do Advento. A primeira leitura e a segunda centram-se nesse convite à alegria. «Vivei sempre alegres», diz-nos Paulo. A razão dessa alegria é a proximidade do Senhor que vem para anunciar a Boa Nova aos pobres, a curar os corações atribulados e a redenção aos cativos.

Para preparar a vinda de Jesus, «apareceu um homem enviado por Deus». Acreditar que Deus continua hoje a enviar-nos testemunhas e pastores para serem testemunhas d’Ele, é algo que só é possível na fé. Quando o Bispo vai em visita pastoral a uma paróquia, há uma preparação dessa mesma paróquia para viver, na fé, aquela visita. Se assim não for corre-se o risco de as pessoas verem uma pessoa com autoridade jurídica a nível eclesial que lá vai fazer uns discursos e dar algumas orientações. Mas, quando é vivido na fé, o povo canta «Bendito o que vem em nome do Senhor», e celebra com alegria e ação de graças o amor de Deus que visita o seu povo num dos seus ministros. A fé é esta luz que permite ver  mais longe, abarcar outros horizontes  que os nossos olhos, só por si, não conseguem alcançar.

Este ano entraram novos padres para a paróquia de S. José, no seguimento do pedido de jubilação do antigo pároco e, só na fé, os crentes poderão dizer com o evangelista João: «Apareceram homens enviados por Deus» e viver isso na ação de graças e no louvor de Deus. Deus governa a sua Igreja pelos sucessores dos apóstolos, os bispos, e nós padres, acreditamos que quando o bispo nos envia para uma paróquia, ou para outro serviço pastoral, é Cristo quem nos envia, pois a nossa obediência é a Cristo que manifesta a sua vontade através da Igreja. Também o povo crente acredita que o padre que a Igreja lhe manda é enviado por Deus apesar das suas imperfeições, pois não há enviados perfeitos.

E para que é que Cristo os envia? Podemos usar as mesmas palavras de João Baptista no Evangelho de hoje: “Para darem testemunho da luz afim de que todos acreditem”. E para não haver nenhum tipo de confusão o evangelista acrescenta: “João Baptista não era a Luz. Veio para dar testemunho da Luz”. A testemunha é a pessoa mudada por aquilo que viu, pelo encontro que teve. Longe de qualquer exibicionismo ou protagonismo, a testemunha dá testemunho de um outro e conduz quem a vê ou escuta, não para si, mas à adesão daquele de quem ela dá testemunho. Quando aquele que era suposto ser testemunha centra as pessoas em si mesmo em vez de as centrar naquele de quem deveria dar testemunho, corre sérios riscos para si mesmo e para os outros. O verdadeiro testemunho é acompanhado de um justo, realista e humilde conhecimento de si. À pergunta «Quem és tu?», João responde com grande humildade «Eu não sou o Messias, não sou Elias, não sou o profeta» Eu sou apenas a voz que brada no deserto». João Baptista sabe que não é a Palavra. Jesus é que é o Verbo, a Palavra. Ele é apenas a voz e, nem se sente digno de lhe desatar a correia das sandálias. Que grande humildade a de João Baptista! Deus permita que o imitemos.

João Baptista é o modelo do evangelizador e ensina à Igreja o seu caminho e missão: O evangelizador não é Cristo, mas aponta para Ele com humildade e determinação.

E essa é a nossa alegria. Podermos levar a muitos a tornarem-se discípulos d’Ele, pois foi esse o seu mandato, «Ide e fazei discípulos».

Mãe do Emanuel,
Virgem da Esperança,
Ensina-nos a preparar-nos para acolher o  esposo que vem.
Põe nos nossos lábios, ó Maria, aquela doce melodia
Com que exultaste naquele dia
Cantando o Magnificat da alegria.
“A minha alma exulta no Senhor”.
E o meu Esprito se alegra em Deus meu Salvador.

 

Folha paroquial – Domingo I Advento – 3 Dez

A folha pode ser descarregada aqui

Introdução | A Lectio Divina

Lectio Divina: Diversos grupos de cristãos em todo o mundo, e também na nossa Diocese, preparam-se para a Eucaristia dominical com encontros sobre as leituras da Bíblia previstas na liturgia, reunindo-se seja em espaços paroquiais, seja em casas particulares. Põem em prática uma lectio divina comunitária que, através da leitura, e da oração dos textos bíblicos, os ajuda a uma participação mais profunda e autêntica na Eucaristia do Domingo. Mas muitos procuram realizá-la individualmente, tendo experimentado também a sua fecundidade espiritual e tendo descoberto que a frequência assídua adas Escrituras, por meio de uma leitura crente, ajuda o movimento de conhecimento do Senhor e de conversão do coração. A experiência mostra que, pelo menos no princípio, até que o método esteja bem assimilado, a lectio comunitária é mais proveitosa porque se pode aproveitar a riqueza da partilha de todos mas individualmente também é boa.

O importante é que a Palavra de Deus seja luz para a nossa vida e que o texto antigo brilhe e ilumine a nossa vida atual pela ação do Espírito Santo. E essa é a função da homilia que o padre faz na missa e que faz pate integrante da mesma. É a própria Escritura que sugere a estrutura da homilia, como se vê pelas palavras da homilia de Jesus feita na sinagoga de Nazaré, que dá seguimento à leitura do profeta Isaías: «Hoje cumpriu-se esta Escritura que acabais de ouvir»

A função do pregador não é tanto fazer uma homilia bonita e simpática, também o pode ser, mas que ajude a assembleia a tornar aquela Palavra viva para a sua realidade de hoje. Confesso que não é uma tarefa fácil e que pede muito tempo de oração, de preparação e de conhecimento “das angústias e esperanças, alegrias e tristezas que a comunidade vive.”

Vigiai e estai preparados

Depois desta introdução entremos então nos textos do 1º Domingo do Advento. Eles falam-nos de vigilância e de estarmos despertos para a vinda do Senhor. A vigilância é uma recomendação constante de Jesus nos Evangelhos a lembrar-nos a sua importância. Todos sabemos por experiência que o tempo dos inícios é o tempo da descoberta, do entusiasmo, do desejo de darmos tudo, mas que com o tempo arrefecemos  correndo sérios riscos de perdermos a graça da fé e já não sermos capazes de reconhecer o Senhor que vem ao nosso encontro de tantas formas e não Lhe abrirmos a porta do nosso coração, pois Ele diz. « Eu estou á tua porta e bato, se alguém ouvir e abrir eu entrarei e cearei com Ele.”

As comunidades cristãs do princípio, pensando que a vinda escatológica do Senhor estava iminente, viviam uma vida de grande fé e entrega com grande entusiasmo que ia até ao martírio. Mas, com o passar do tempo, vão percebendo que a segunda vinda do Senhor não é para já e, entram num certo arrefecimento do entusiasmo: A isso faz referência o livro do Apocalipse nas cartas às sete Igrejas. “Conheço as tuas obras, as tuas fadigas e a tua constância. (…) tens constância, sofreste por causa de mim e não perdeste a coragem. No entanto, tenho uma coisa contra ti: abandonaste o teu primitivo amor. Lembra-te, pois, donde caíste, arrepende-te e torna a proceder como ao princípio.» (Ap 2, 1-4)

Um dos prefácios da missa do advento diz de forma bela a fé da Igreja sobre a vinda do Senhor «Vós nos escondestes o dia e a hora em que Jesus Cristo, Vosso Filho, Senhor e juiz da história, aparecerá sobre as nuvens do céu revestido de poder e majestade. Nesse dia tremendo e glorioso, passará o mundo presente e aparecerão os novos céus e a nova terra.

Agora, Ele vem ao nosso encontro, em cada homem e em cada tempo, para que O recebemos na fé e na caridade e demos testemunho da gloriosa esperança do seu reino.”

O sentinela vigilante é aquele que não adormece e não deixa cair as defesas. Está atento ao inimigo que pode chegar a qualquer momento e assaltar a cidade.

Mas está atento também à chegada do Senhor para, na alegria, lhe abrir a porta logo que Ele entrar. Para nós vigiar é não deixar arrefecer a fé, a esperança e a caridade. É não abandonar o primeiro amor. É ser fiel ao serviço do Senhor e dos irmãos, trabalhando para que o mundo se transforme em reino de Deus onde habita a paz e a justiça.

Seguindo a reflexão da Lectio Divina da Diocese podemos perguntar-nos: O que significa para nós, hoje, vigiar, estar preparados? Para efetivar a atitude da vigilância, a palavra de Jesus pode constituir uma preciosa ajuda. Ele diz, em várias circunstâncias, no Evangelho: “Vigiai e estai alerta!”, “Vigiai e estai preparados!”, “Vigiai e orai“. Estar alerta, significa estar concentrados. Concentrados no objetivo principal da vida: a vida eterna. A minha vida está concentrada na vida eterna?

Estar preparados, significa ter, como o porteiro, olhos para ver quando o dono da casa regressa, a fim de lhe abrir logo a porta. Que devo fazer para saber entender os sinais do “Senhor que vem?”

A oração é o conteúdo principal da vigilância. Recolher-se em intimidade com o Senhor, significa, em certos momentos, impor silêncio a tudo e a todos para deixar entrar o hóspede divino em nossa casa.

Sei fazer isso? Sei rezar?

Desejo a todos um santo Advento. Para deixarmos que Cristo nasça em nós precisamos de O acolher como Palavra no nosso coração como Maria, pois Ele é a Palavra que se fez carne.

 

Pai, dai-nos sabedoria para Vos reconhecer;
desejo de Vos procurar;
paciência para Vos esperar;
um coração para Vos contemplar,
e uma vida para Vos anunciar
pelo poder do Espírito
de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ámen.
(Santo Ambrósio de Milão)

 

Retiro de Advento – Unidade Pastoral

Estiveram presentes cerca de 50 pessoas das paróquias irmãs de S. José e S. João Baptista. E foi muito bom. 

Folha paroquial – 34º TC – 26 Nov

A folha pode ser descarregada aqui

Em Israel, os reis eram considerados pastores do seu povo. Eles tinham a tarefa de conduzir o povo pelos caminhos da paz e do bem e estarem ao seu serviço. Mas isso, em verdade, nunca aconteceu na história de Israel, se bem que o rei David ficou como símbolo do Rei- Messias que havia de vir e, esse sim, seria um Rei humilde que daria a vida pelo seu povo.

Cristo é o Bom pastor e o Rei esperado. Ele cuida de cada uma das suas ovelhas, vai à procura da que está ferida e cura-lhes as chagas. Mais do que isso, Ele identifica-se com cada uma que sofre e todo aquele que fizer o bem a uma das suas ovelhas é a Ele que o faz. Nós, pelo Baptismo, somos participantes da realeza de Cristo e chamados por Ele a servir o Reino de Deus no mundo, fazendo o que Ele nos    mandou e como nos deu o exemplo.

Este dia fala-nos também da forma como Jesus voltou do avesso as conceções do seu tempo e também do nosso. O Rei é o pobre. Todas as vezes que olhastes o pobre com amor, o servistes com amor, foi a Mim que o fizestes.

Celebrámos no Domingo passado o 1º dia mundial dos pobres.  Talvez não tenhamos tido  ocasião de ler a mensagem do papa para este dia. Vale a pena, em dia de Cristo Rei, ouvi-lo nalguns pequenos extratos: «Não pensemos nos pobres apenas como destinatários duma boa obra de voluntariado, que se pratica uma vez por semana, ou, menos ainda, de gestos improvisados de boa vontade para pôr a consciência em paz. Estas experiências, embora válidas e úteis a fim de sensibilizar para as necessidades de tantos irmãos e para as injustiças que frequentemente são a sua causa, deveriam abrir a um verdadeiro encontro com os pobres e dar lugar a uma partilha que se torne estilo de vida. Na verdade, a oração, o caminho do discipulado e a conversão encontram, na caridade que se torna partilha, a prova da sua autenticidade evangélica. E deste modo de viver derivam alegria e serenidade de espírito, porque se toca com as mãos a carne de Cristo. Se realmente queremos encontrar Cristo, é preciso que toquemos o seu corpo no corpo chagado dos pobres, como resposta à comunhão sacramental recebida na Eucaristia. O Corpo de Cristo, partido na    sagrada liturgia, deixa-se encontrar pela caridade partilhada no rosto e na pessoa dos irmãos e irmãs mais frágeis.” (…) Portanto somos     chamados a estender a mão aos pobres, a encontrá-los, fixá-los nos olhos, abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão. “

Como nos diz o papa, ajudar os pobres é muito mais do que lhes dar esmola. A pobreza é complexa e podemos não ajudar nada o pobre dando-lhe esmola sem conhecermos a sua realidade e o  acompanharmos. Temos pobres que pedem à porta da igreja de S. José em cada Domingo. Fazemos mais bem em dar-lhe esmola ou em dar esse dinheiro, por exemplo, ao centro de acolhimento para que os acompanhem? Sei que o centro já ofereceu, a um deles,  dinheiro, mensalmente, com a condição de deixarem de estar à porta a pedir mas a proposta foi recusada. Não estaremos nós a provocar a mendicidade? Então como os devemos ajudar? Fazendo o que o papa nos sugere: Tornar-nos seus irmãos, falar com eles, convidá-los a    almoçar, interessar-se pela sua história e dar a nossa ajuda material, não diretamente a eles, mas a quem os possa acompanhar para os ajudar não só a terem comer mas a elevá-los como pessoas.

Bendito seja o nosso Rei que se fez pobre, despojado de tudo,   ferido humilhado e desfigurado. Mas foi na sua pobreza que fomos enriquecidos. Que Ele nos ajude a tornarmo-nos servos dos irmãos , pois, no cristianismo ,reinar é servir com humildade.

Senhor Jesus Cristo
Rei e Senhor do Universo
Como queres que Te contemple?
Na tua majestade divina, sentado à direita do Pai,
cheio de esplendor e de glória,
Ou a lavar os pés aos discípulos, a suar sangue no Gólgota,
e a sofrer na cruz?
Gostaria mais de Te seguir na tua Majestade, poder e glória
Sem ter de fazer o caminho do serviço humilde e da cruz.
E sei qual é a tua resposta:
“Se alguém quiser seguir-Me (e reinar comigo)
Pegue na sua cruz e siga-me.”
Senhor, meu Rei, dá-me um coração humilde e pobre
Para que Te reconheça e te siga no faminto, no doente, no viciado
E em todos aqueles que provocam a minha própria fragilidade.
A Ti, Rei imortal,
toda a glória te seja dada pelos séculos dos séculos. Ámen.

 

Dia de Retiro na Paróquia para a Unidade Pastoral – 1 Dez

1 Dez 2017 – Teremos na Paróquia um dia de retiro.

Aberto a toda a Unidade Pastoral. Será na igreja de S. João Baptista, na Quinta da Portela, orientado pelo Pe. Diamantino Duarte, da
Diocese de Lamego. Começará às 10H00 e terminará com a missa às 17H30. O almoço será partilhado.

Folha paroquial – 33º TC – 19 Nov

A Folha Paroquial da Unidade Pastoral pode ser descarregada aqui

Há 3 palavras que sinto virem ao de cima quando leio este texto dos talentos: as palavras alegria, fidelidade e serviço; “Muito bem, servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor”. A alegria é o resultado de quem serve o seu Senhor na fidelidade.

Cada homem e cada mulher se aperfeiçoa, como pessoa, através do trabalho e do serviço feito na alegria e no amor. O trabalho e o serviço não são uma condenação, mas uma libertação, porque nos constroem como pessoas. Não precisamos só do trabalho para ganharmos o pão de cada dia, mas porque através do trabalho deixamos a nossa marca na construção do mundo. Se trabalhássemos só porque precisamos de ganhar dinheiro, os reformados seriam todas pessoas felizes, e alguns entram em depressão quando deixam de trabalhar.

Deus criou o mundo imperfeito para que o aperfeiçoássemos, tornando-nos colaboradores d’Ele na obra da criação. O Filho do homem veio ao mundo para servir e a Sua vida foi um serviço de amor humilde até ao extremo. A marca pessoal que deixamos com o nosso serviço, podemos chamar-lhe talentos para usar as palavra do Evangelho. Outras vezes chamamos- lhes carismas ou dons de Deus, que são dados a cada um em benefício de todos.

Os talentos de que fala o Evangelho de hoje são os dons, a graça própria que é dada a cada um para o serviço do Senhor e da comunidade humana. Deus quis que a Sua Igreja fosse uma comunidade ministerial, quer dizer, uma comunidade onde todos estão ao serviço de todos, de uma forma organizada, e segundo os seus carismas e dons em vista da missão da Igreja. Diz a carta a Timóteo: «Ele salvou-nos e chamou-nos para o seu santo trabalho, não em atenção às nossas obras, mas segundo seu próprio desígnio» (2 Tim 1, 9). Deus redimiu-nos para realizarmos a Sua vontade, o crescimento do seu Reino.

Servir é um ato de amor. Porque amo a Cristo e a Sua Igreja quero dar o melhor de mim mesmo para a Sua Glória segundo os meus carismas ou talentos. Há um provérbio dinamarquês que diz: “O que és constitui o presente de Deus para ti; o que fazes com o que és constitui o presente que ofereces a Deus”. S. Paulo, escrevendo aos cristãos de Roma, diz-lhes: “Não sejais preguiçosos na vossa dedicação; deixai-vos inflamar pelo Espírito; entregai-vos ao serviço do Senhor”. E acrescenta: “Temos dons que, consoante a graça que nos foi dada, são diferentes: se é o da profecia, que seja usado em sintonia com a fé; se é o do serviço, que seja usado a servir; se um tem o de ensinar, que o use no ensino; se outro tem o de exortar, que o use na exortação; quem reparte, faça-o com generosidade; quem preside, faça-o com dedicação; quem pratica a misericórdia, faça-o com alegria.”

O cristão que não se torna «pedra viva» da construção do edifício espiritual que é a Igreja, não cresce na vida cristã, pois ele é chamado a configurar-se com o Cristo servidor, e a crescer desenvolvendo os dons que lhe foram dados. Quando não o faz, enterra os seus talentos como o terceiro homem da parábola de hoje. Todos os serviços são bons e necessários e não há uns mais importantes do que outros; depende da forma como os vivemos. Conta-se que andavam três homens numa grande pedreira a partir pedra que seria levada para a construção de uma catedral. Um desconhecido passou e falou ao primeiro homem que suava, cansado, e com cara aborrecida: «Que fazes? “ Ele respondeu amargamente: «Não vês? -Estou aqui neste castigo diabólico a partir pedra todo o dia e as horas nunca mais passam».

A mesma pergunta foi feita ao segundo homem que fazia o mesmo trabalho: Ele respondeu: – Ganho o salário para sustentar a minha família. Ao terceiro homem, que partia pedra com ar feliz, foi-lhe feita a mesma pergunta: Ele ergueu a cabeça para as alturas e quase transfigurado pela alegria e pela fé, respondeu: “Trabalho na construção de uma catedral”. O serviço era o mesmo, mas a atitude do último transfigurava o serviço num ato libertador, num ato quase divino. O cristão deve fazer de todo o seu serviço um ato de oferenda a Deus Criador. Ele deve ver mais longe, pois todo o serviço que fazemos tem implicações com os outros, é construtor do mundo.

Procuremos ver de modo honesto e humilde aquilo em que somos bons e em que não somos: S. Paulo escreve: “Digo a todos e a cada um de vós que não se sinta acima do que deve sentir-se; mas (…) com a medida de fé que Deus distribuiu a cada um.” Dons espirituais e habilidades naturais são sempre confirmados pelos outros. Se alguém pensa que tem um talento para cantar ou ensinar a cantar, e ninguém mais concorda, acha que a pessoa tem mesmo esse dom?

Desejemos todos servir com humildade o Corpo de Cristo segundo os talentos que recebemos e um dia ouviremos o Senhor a dizer-Nos. « Muito bem, servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor.»

Lista possível de serviços

  • Cantar num grupo coral da paróquia;
  • Tocar um instrumento que sirva a liturgia
  • Dirigir um coro; l
  • er a palavra de Deus na missa
  • Fazer parte de um grupo de arranjos florais para a Liturgia
  • Voluntariar-se no acolhimento na secretaria
  • Fazer parte de uma equipa de acolhimento aos Domingos (S. José)
  • Fazer parte de uma equipa de evangelização
  • Dar catequese a crianças, adolescentes ou adultos
  • Fazer parte de uma equipa de oração e acompanhamento das pessoas em luto na altura do funeral.
  • Fazer parte de uma equipa de preparação para o batismo
  • Fazer parte de uma cadeia de adoração a começar no próximo ano pastoral ( S. José)
  • Fazer parte de uma equipa de animação do percurso Alpha depois de fazer a preparação ( S. José)
  • Fazer parte de uma equipa de eventos excepcionais (S. José)
  • Visitar os doentes em casa
  • Fazer parte de um pequeno grupo de aprofundamento da fé.
  • Fazer parte da equipa de pastoral familiar (a formar) ( S. José)
  • Fazer parte de uma equipa de casais (a formar) ( S. José)
  • Animar um grupo de pais na catequese familiar (a formar) ( S. José)
  • Fazer parte de uma comissão paroquial Justiça e paz (a criar)
  • Fazer parte da equipa de comunicação da paróquia (a criar): folha paroquial, site, facebook, cartazes, Correio de Coimbra. ( S. José)
  • E muitos outros consoante as necessidades e dons que aparecem.

Oração

“Senhor Jesus Cristo, que sendo de condição divina, Te abaixaste à condição humana e ,ainda mais, Te fizeste servo dos homens, lavando-lhes os pés, perdoa-nos o nosso orgulho e vaidade e a tentação que temos em ser servidos mais do que servir. Faz da nossa comunidade paroquial uma família onde cada um encontra o seu lugar no serviço. Não permitas que enterremos os dons que nos deste e não Te sigamos no caminho do serviço. Dá-nos a graça e a alegria de nos “fazermos servos uns dos outros na caridade.” Amen.

Folha paroquial – 31º TC – 5 Nov

A Folha Paroquial da Unidade Pastoral pode ser descarregada aqui

Há tempos, perguntei a um colega mais velho, qual foi o primeiro serviço com que começou o seu ministério. Respondeu-me com algum orgulho: “-Fui caudatário do sr D. Ernesto durante 5 anos”. -Caudatário o que é isso?-perguntei: “-Era quem segurava a longa cauda do Bispo quando este ia à Sé. Confesso que não consegui reprimir a minha vontade de rir ao imaginar o sacerdote, todo orgulhoso, a segurar na cauda do bispo e, este ainda mais orgulhoso, a pavonear-se pela Sé fora, com a sua longa cauda. E isto foi há 60 ou 70 anos…! É verdade que somos sempre injustos quando julgamos a história a partir da nossa visão de hoje, mas temos que dizer que o Evangelho que hoje ouvimos era uma crítica aos fariseus daquele tempo e continua a ser bem válido para hoje, pois não mudámos assim tanto em muitas coisas. Só muito lentamente o Evangelho vai entrando no nosso coração de discípulos-missionários e espanto-me com a paciência de Deus em esperar pela nossa conversão.

As leituras de hoje são dirigidas em primeiro lugar aos «que tratam a Deus por tu», isto é, aos “profissionais do sagrado” e depois a todo o povo crente. A 1ª leitura começa com estas palavras: “Eu sou um grande Rei, diz o Senhor do Universo, e o meu nome é temível entre as nações”. O profeta Malaquias dava-se conta de que a glória que devia ser dirigida a Deus era usurpada pelos sacerdotes e por Isso Deus diz: «Se não Me ouvirdes, se não vos empenhardes em dar glória ao meu nome, diz o Senhor do Universo, mandarei sobre vós a maldição”. E qual a glória que roubam a Deus? É o facto de serem injustos, fazerem acepção de pessoas, não escutarem a Palavra de Deus, desviando do caminho os mais simples. Deus é amor e não procura para si qualquer tipo de exaltação egoísta pois não precisa. “A glória de Deus é o homem vivo”. Deus é glorificado quando os pobres são amados e servidos, quando a injustiça é combatida, quando a verdade é reposta. Os sacerdotes usurpam a glória de Deus porque fazem acepção de pessoas e não ligam aos pobres preferindo os ricos, porque não ouvem a sua palavra e desviam do caminho reto os mais simples que confiam neles.

No confronto de Jesus com os fariseus trata-se de algo semelhante. Estes têm uma grande presença exterior com grandes sinais a revelar que são homens de oração e do cumprimento da lei: Trazem consigo, na fronte e nos braços, os filactérios, caixinhas que continham versículos bíblicos, como o apelo à escuta (shema) e franjas mais compridas que o normal, demonstrando que são homens de oração. Dizem a palavra de Deus, mas não vivem da Palavra, porque as suas mentes e os seus corações estão tomados por outros interesses. Procuram o aplauso dos homens, os lugares de prestígio nos acontecimentos sociais e nas reuniões religiosas, os títulos de honra quando são saudados. Jesus critica, não o simples uso dos títulos, mas a orientação profunda dos seus corações que os leva ao desejo de estarem em primeiro lugar, o desejo de dominar, e a usurpação da autoridade de Deus. Jesus pede aos seus discípulos uma orientação diferente. Abster-se de títulos significa renunciar a privilegiar-se a si próprio, não reclamar posições de grandeza e de prestígio na comunidade que os levará ao orgulho e à vaidade. E lembra-lhes que são todos irmãos e todos discípulos à escuta do único Mestre. Quem tem tarefas de ensinamento e governo na comunidade dos discípulos, será o primeiro na escuta do seu Senhor. Quem tem encargos de governo numa Igreja fraterna, será o primeiro a servir. Só escutando e servindo se ingressa no Reino de Deus. Jesus termina a sua vida neste mundo lavando os pés aos discípulos e dizendo-lhes que é assim que eles devem fazer aos seus irmãos. Mas atenção! O evangelho questiona também a assembleia inteira dos cristãos, de modo particular todos os que estão à frente de serviços e grupos na Igreja. Às vezes, começamos todos com boa intenção, a servir, mas depois ganhamos o gosto pelo lugar e sentimo-nos ameaçados por outros que apareçam com ideias novas.

Ninguém na Igreja deve estar apegado a nenhum lugar e deve procurar fazer tudo com muita humildade para não usurpar a glória de Deus. O nosso serviço na Igreja não é para tirarmos dele honra, prestígio e glória para nós, mas é para servirmos com humildade e alegria. É bom sinal a disponibilidade para sermos substituídos quando é necessário, sinal de que não estamos apegados ao lugar. O papa, os bispos, os padres e os leigos, na vida da igreja, e os homens e mulheres, no seu trabalho na vida civil, são todos feitos da mesma massa. Todos somos tentados pelo prestígio pelo poder que ele dá. Mas os cristãos deviam resistir melhor a esta tentação pois têm o exemplo e a palavra de Cristo que nos diz: «Não deve ser assim entre vós, Aquele que quiser ser o primeiro, faça-se o servo de todos, pois o Filho do Homem não veio para ser servido mas para servir e dar a vida por todos.» O problema é que, às vezes, não somos ouvintes da Palavra para nós. Conhecemo-la bem para os outros. Na oração do pai Nosso, Jesus ensinou-nos a dizer, Pai Santificado seja o Vosso Nome, que no serviço que fazemos na Igreja, e fora dela, seja para santificar e glorificar o Santo Nome de Deus e não para glorificarmos o nosso nome. O Papa Francisco tenta viver isto de uma forma exemplar. Recusou o seu quarto papal, não quer carros de alta gama, mas automóvel simples, recusa passar férias no palácio de Castel Gandolfo, residência de férias dos papas, num sítio esplendoroso e num palácio de sonho. Carrega com a sua pasta nas viagens e dispensa tudo o que é vassalagem desnecessária. Ele mostra-nos o que deve ser um verdadeiro líder e pastor. Homem íntegro, servidor, que se preocupa com os que deve servir, que dá o exemplo. Ele é o primeiro ouvinte da palavra. Que ouvindo a Palavra de Jesus aprendamos todos com o exemplo do papa.

ORAÇÃO

Ó Deus imenso e cheio de majestade
Que te aniquilaste a ti próprio
Assumindo a pobre condição humana.
Vivendo como nós, fizeste-te o mais humilde de todos
Abaixaste-te para nos lavar os pés, mostrando-nos o que era servir com amor.
Sendo Deus soberano obedeceste até à morte e morte de cruz.
Por isso, O Pai te exaltou e te deu um Nome acima de todo o nome.
Deus grande e cheio de humildade
Concede-nos a Luz do Teu Espírito
Para que nenhum de nós ouse usurpar a Tua Glória
E Te sirva com alegria nos irmãos
Para que um dia possamos ouvir da tua boca:
«Muito bem, bom e fiel servidor: Entra na alegria do teu Senhor.»

Folha paroquial – 30º TC – 29 Out

A Folha Paroquial da Unidade Pastoral pode ser descarregada aqui

Para quem vê a vida cristã pelo lado de fora, sem sentido de pertença, ainda que porventura batizados, o cristianismo dá-lhes a impressão de ser um complexo de obrigações e leis a cumprir. Foi contra esta visão que Jesus lutou no seu tempo. Os judeus, sim, tinham um emaranhado complexo de 613 leis dispersos pelos 5 primeiros livros chamados a Torah, ou a Lei, e que nós hoje chamamos o Pentateuco. Daí a pergunta do Doutor da Lei que é enviado pelos fariseus para o experimentar. O texto diz que os fariseus souberam que, numa discussão com os saduceus, Jesus os tinha deixado sem argumentos, sem saberem o que retorquir. Então os fariseus, talvez pensando que seriam mais espertos que os saduceus, reúnem-se e combinam entre si qual a melhor pergunta a colocar a Jesus, pois estavam convencidos da superioridade da sua doutrina. Escolheram um dos mais doutos entre eles, para o diálogo com Jesus: Um mestre na lei. E a pergunta que este lhe faz tem sentido. No emaranhado das nossas 613 mandamentos em que nos perdemos, qual será o maior, aquele que, se for cumprido, poderá resumir todos os outros? E a resposta não se fez esperar. Para responder, Jesus não se baseia em ensinamentos de grandes mestres do Seu tempo, por melhores que fossem. Ele vai buscar a resposta à fonte, ao texto bíblico, e dá-a em dois momentos. No 1º momento, cita o livro do Levítico e centra o mandamento no amor em Deus: «‘Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’. E acrescenta: «Este é o maior e o primeiro mandamento». Parecia estar tudo dito e o Mestre da Lei preparado para ir embora. Mas Jesus faz uma pausa e acrescenta: «O segundo, porém, é semelhante a este: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo». O amor de Deus e  do próximo tornaram-se inseparáveis, e para sempre. Um não pode aparecer nem crescer sem que a seu lado surja e cresça também o outro.

 

Voltando à frase com que comecei, se muitas pessoas têm uma ideia demasiado rígida do cristianismo, vendo-o apenas como um conjunto de normas e leis obrigatórias, é porque talvez a Igreja não tivesse sabido apresentar o principal e o mais belo da vida cristã que é o amor. O amor é tudo no cristianismo, porque Deus é amor. O decisivo na nossa vida, aquilo que a salva e faz dela uma vida em plenitude, é a experiência do amor de Deus e o resplandecimento desse mesmo amor nas nossas vidas, respondendo com ele a Deus e aos irmãos. O Papa Bento XVI Introduz a encíclica Deus é Amor com estas palavras: «Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele» (1 Jo 4, 16). Estas palavras da I Carta de João exprimem, com singular clareza, o centro da fé cristã; além disso, no mesmo versículo, João oferece-nos, por assim dizer, uma fórmula sintética da existência cristã: «Nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem».

Para o cristão, o amor, mais do que um mandamento é, em primeiro lugar, uma experiência de vida; nós sabemos e acreditamos no amor que Deus nos tem, porque o experimentamos. Esta experiência é o fundamental do ser cristão. Este encontro com o Deus que nos ama muda tudo e está no início do ser cristão. Toda a conversão é fruto da descoberta de que Deus nos ama.

Ao falar do amor a Deus, Jesus não está a pensar em sentimentos ou emoções que podem brotar do nosso coração. Amar ao Senhor com todo o coração é reconhecer Deus como Fonte última da nossa existência e mostrar esse amor no rosto visível e encarnado dos irmãos.

Deus, incarnando na história e tendo-se feito homem, não deixa que o nosso amor fique nas nuvens ou no etéreo. «Nós amamos a Deus se amamos os irmãos». E “quem diz que ama a Deus que não vê e não ama os irmãos que vê, é mentiroso e a verdade não está n’Ele.” O cristão que ama, ama a partir de Deus e do amor que d’Ele recebe, pois «o amor de Deus foi derramado no nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado».

Jesus, na última Ceia, deixa-nos o mandamento novo. O que tinha de novo é o «como eu vos amei» Olhando para a forma como Jesus nos amou, fazendo-se servo, humilde, perdoando até morrer por nós, temos o modelo do verdadeiro amor.

Jesus quer que a sua Igreja seja uma comunidade que viva o seu mandamento novo e que mostre ao mundo que o amor é possível apesar da fraqueza e do pecado dos seus discípulos.

Por isso, a paróquia deve ser uma comunidade de serviço no amor fraterno. Os grupos que a compõem devem amar-se, interessar-se uns pelos outros e não viverem de costas voltadas uns para os outros.

Os Atos dos Apóstolos dizem-nos que os cristãos eram assíduos à comunhão fraterna e viviam unidos.

No dia 8 de novembro, convido todos os grupos e movimentos de S. José para as 21H00, na hora de Adoração, para rezarmos juntos e para uma pequena reflexão e partilha sobre a comunhão na diversidade. Um encontro semelhante terá lugar, de dois em dois meses, à quarta-feira, a começar a 15 de Novembro, na paróquia de S. João Baptista, para os diferentes grupos desta comunidade. O mandamento do amor deve começar a ser vivido pelos que estão na animação e liderança da comunidade e vai-se alargando a todos. O amor deve começar nos irmãos e estender-se para fora. Se não praticamos a caridade em casa, é difícil depois acreditarem em nós. Jesus disse. «É por este sinal que todos reconhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros». Se não há, entre nós, sinais e gestos de caridade e comunhão fraterna, quem vai acreditar na nossa palavra?

A beleza da Igreja está na experiência que faz do amor de Deus. «Nós conhecemos e acreditamos no amor que Deus nos tem», e na resposta a esse amor manifestado na caridade para com os irmãos. Que a nossa comunidade resplandeça o amor de Deus no amor dos irmãos a começar pelos mais comprometidos.

Oração

Pai bondoso e cheio de amor para com todos
Cujo amor nunca se cansa nem se esgota.
É bom saborear a tua bondade infinita e contemplar, com admiração,
Todas as coisas que criaste por amor.
Pai Santo, és a defesa mais segura dos pobres e dos humildes,
Concede-nos um coração livre de todos os ídolos,
Para Vos servirmos unicamente a Vós e aos irmãos
Segundo o Espírito do Teu Filho
Fazendo do Seu mandamento Novo a única lei da vida.
Que a  Igreja do Teu Filho, que tanto amas, saiba resplandecer
O amor, como sinal de que somos Seus discípulos. Amen.

 

Folha Paroquial – 29º TC – 22 Out

A folha paroquial pode ser descarregada aqui

A máxima que o Evangelho de hoje nos apresenta, «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus», deve ser a mais conhecida e repetida por toda a gente, mas sem lhe perceber o significado profundo e, muitas vezes, tentando manipulá-la a seu proveito.

A 1ª leitura ajuda-nos a compreender melhor o significado da resposta de Jesus no evangelho. Entremos na questão posta a Jesus pelos fariseus: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem te deixares influenciar por ninguém, pois não fazes aceção de pessoas». Jesus percebe bem aquele elogio, que é verdadeiro, mas vai, porém, cheio de malícia. Pretendem lançar-Lhe uma cilada. Por isso, começa por lhes chamar: «hipócritas». «É lícito ou não pagar tributo a César?» É permitido ou proibido? Esperavam uma resposta ao «permitido-proibido», na qual muitas vezes nos fechamos. Ora, nós vivemos na fé e no amor e, quando se vive assim, não há respostas rígidas medidas a metro. Não há medida para quem ama. Esse tipo de perguntas é próprio de quem procura os mínimos para cumprir a lei.

Mas Jesus aproveita a pergunta para os obrigar a refletir. «Dar a César o que é de César» significa reconhecer a autonomia das realidades terrestres proclamada pelo Concílio Vaticano II. Significa aceitar a lei da incarnação e das mediações humanas. É aceitar o caminho que nos permite, num justo comportamento em relação a César, de poder dar a Deus o que é de Deus, quer dizer, a totalidade do homem. Isto é, o homem só pertence a Deus, pois Ele é o seu criador e Senhor; mas o seu serviço a Deus passa pela construção do mundo como cidadãos, cumprindo todas as leis estabelecidas, como aliás Jesus fez. Jesus deu a Deus tudo, mas obedeceu aos poderes instituídos em tudo o que não ia contra a vontade do Pai. Jesus não contesta o poder de César, cuja sorte, como a de Ciro, está nas mãos de Deus.

A máxima «dai a César o que é de César» fundamenta, pois, o comportamento leal do cristão para com a autoridade civil e a sua obrigação moral de participar ativamente na construção da cidade dos homens e na vida política, lugar excelente do exercício da caridade e do bem comum.

O problema para o crente surge quando os poderes humanos, cedendo à grande tentação, têm a pretensão de sujeitar o homem e exigir deste uma obediência que vá contra Deus e contra a sua consciência. Ora, só Deus é Senhor e só Ele é digno da nossa entrega total. O homem não pertence a nenhum poder terreno. O imperador não pode impor-lhe opções e comportamentos contrários a Deus e à exigência de observar os Seus mandamentos. Quando isto acontece, o crente não só pode, mas deve desobedecer à autoridade civil. Um trabalhador da saúde não deve obedecer a quem lhe manda fazer um aborto, ou a quem, em nome da lei, o obrigasse a praticar a eutanásia. Um trabalhador de uma empresa não pode aceitar colaborar numa mentira que o patrão lhe exija fazer para ganhar mais dinheiro.

«Dar a Deus o que é de Deus» significa dar-Lhe tudo, o nosso coração, o nosso tempo, o nosso louvor e a nossa adoração. Não damos a Deus o que Lhe pertence quando não o honramos com a missa dominical, com um tempo de oração, e com tudo que nos ajude a conhecer a palavra de Deus, para lhe sermos mais fiéis. Mas «dar a Deus o que é de Deus» consiste também «em dar a César o que é de César», pois servir a Deus é servir os homens na caridade e na justiça.

Em conclusão, todas as leituras de hoje são um convite a não nos deixarmos escravizar por nenhum poder humano, pois só Deus é o Senhor. A adoração do único Deus permite-nos permanecer de coração livre em relação a todos os poderes que nos pretendem escravizar.

Com o salmo de hoje cantamos «Dai ao Senhor, ó família dos povos, dai ao Senhor glória e poder. Dai ao Senhor a glória do seu nome» e, com o profeta Isaías, afirmamos toda a solenidade: «Eu sou o Senhor e não há outro; fora de Mim não há Deus. Eu sou o Senhor e mais ninguém». «Eu sou o Alpha e o Ómega, o Princípio e o Fim de todas as coisas». Os primeiros cristãos eram mortos por recusar dobrar o joelho diante da imagem do imperador que tinha pretensão de ser Deus. E nós? Quais são os ídolos diante de quem nos dobramos? Quem ocupa o lugar central no nosso coração? Demos a Deus a glória, a honra, e a adoração que Lhe pertence, para que possamos livremente servir o mundo que também é de Deus e não de César?

Oração

Pai Santo, estava a pensar que cumprir os meus deveres cívicos na retidão e na honestidade é tão difícil como cumprir os meus deveres religiosos, mas depois pus-me a pensar se havia «dois deveres» ou se afinal o dever era só um! Se és Tu que me dizes que «devo dar a César o que é de César», então esse dever é religioso porque és Tu que mo mandas.

Pai, todas as criaturas Vos obedecem no misterioso enredo das vontades livres dos homens; 
Fazei que nenhum de nós abuse do seu poder,
Mas que toda a autoridade sirva para o bem de todos, conforme o Espírito e a Palavra do Vosso Filho e a humanidade inteira Vos reconheça como o único Deus.

Amen.

 

Horário das Missas na Unidade Pastoral

Paróquia de S. José
Missas todos os dias, durante a semana, às 8H30 e 19H00
Missa vespertina: sábado, 19H00
Domingos: 8H30; 10H00; 11H00, 12H15; 19H00

Paróquia de S. João Baptista
Horários das missas durante a semana: 19H00, exceto à segunda-feira, que não há.
Missa vespertina de sábado: 17H30
Missas de Domingo: 10H45 e 21H15