Arquivo da categoria Unidade Pastoral

Forum Comunidade Emanuel

À semelhança de anos anteriores, convidamos todos quantos queiram participar neste evento organizado pela Comunidade Emanuel : este ano o tema será relacionado com a família e já reservámos um autocarro que vai e volta no sábado.

Aguardamos preços de alojamento para quem quiser passar o fim de semana inteiro.

Será possível levar um farnel, ainda não sabemos se é possível comer no local onde decorre o encontro (Casa dos Capuchinhos em Fátima) mas mesmo do outro lado da rua há uma churrasqueira, nada cara (+- 7€/pessoa).

O autocarro, se for cheio, fica a 8€/pessoa, pelo que pedimos 10€/pessoa para compensar os lugares vagos.

Para mais informações poderá contactar o Paulo Farinha (919265221).

02 MARÇO – Jornada de Formação dedicada ao Louvor e ao exercício de carismas

O Louvor de Deus é algo que nos faz avançar muito na fé.

Quando se vive uma experiência de encontro com Deus precisamos de O louvar. Mas existem obstáculos que emperram o jorrar do louvor em nossos lábios sendo um deles não negligenciável o aspecto cultural. Mas quando nos habituamos a louvar juntos e superamos essas barreiras, o louvor é um poderoso meio de crescer na fé, de renovar o entusiasmo, de sentirmos Deus próximo de nós e de o vermos em acção nas nossas vidas.

O louvor ajuda-nos a aderir a Deus e a viver na esperança em todas as circunstâncias. Mas ninguém de nós nasce ensinado no louvor. Há uma iniciação que todos temos de fazer. Por isso convidamos o P. Jean-Hubert Thieffry que já esteve cá no Enovar.

Ele vive atualmente no Quebec, mas vai estar em Espanha alguns dias.

O Pe Jorge convidou-o a vir passar um sábado connosco e a dar-nos uma formação prática e teórica sobre o louvor.

Ele aceitou mas deseja também encontrar-se com os padres que querem ver as suas paróquias a entrarem em conversão pastoral ou seja a entrarem no caminho de renovação que o papa Francisco nos pede.

Seria bom se um grande número puder estar e convidem largamente.

A participação é gratuita. Inscreva-se em https://goo.gl/forms/7omOpYGChhxXpLu42.

Almoço de Convívio para os Habitantes da Quinta da Portela

A paróquia de S. João Baptista da Quinta da Portela convida todos os moradores para um almoço convívio ao estilo do S. João: bom acolhimento, boa comida, convívio são de vizinhos, grande insuflável para as crianças se divertirem.

Como as temperaturas ainda não são primaveris, será dentro da Igreja: como já é habitual a Igreja nesse dia estará preparada com mesas de 10 a 12 lugares onde será servida a comida.

Inscrições disponíveis em https://goo.gl/forms/A1wAsGvOrtaUGp8n2 que também poderão ser feitas na secretaria, por telefone (919 265 221) ou por email: igrejasaojoaobaptistacoimbra@gmail.com.

Ementa: bacalhau espiritual ou lombo de porco recheado, servido pelo Sabor&Arte.

Preço: 10€ por adulto / Crianças grátis.

Grande Gala Solidária no Convento de S. Francisco

Coimbra Gospel Choir, Anaquim, Ararur (3 elementos), Sofia Rosado, Telmo Melo, Grupo de Fados “Na Corrente” e um grupo surpresa são os artistas que irão integrar a Gala com a qual queremos encher o Grande Auditório do Convento de S. Francisco e angariar fundos para a construção do Centro Comunitário de S. João Baptista na Quinta da Portela.

Os bilhetes custam 10€ e estão à venda nas bilheteiras do Convento de S. Francisco e nas secretarias das paróquias de S. João Baptista e S. José onde podem ser levantados.

Atelier do Tempo e do Saber continua no Centro Comercial Atrium Solum

Depois de, durante parte do mês de Novembro e todo o mês de Dezembro, as senhoras deste atelier terem representado a nossa paróquia num dos centros comerciais da nossa cidade e terem angariado alguns milhares de euros que revertem para a construção do Centro Comunitário, visto que a loja continuará disponível mais algum tempo, continuaremos a assegurar este espaço.

Para além de ser um espaço no qual se pretende angariar algum dinheiro através da venda dos trabalhos desenvolvidos neste atelier do tempo e do saber, é também um espaço de acolhimento e de evangelização: temos lá uma televisão que apresenta as diversas actividades das paróquias da nossa unidade pastoral e, junto ao balcão, uma mesinha com panfletos que servem de pretexto para, quem está a atender, falar e testemunhar da sua alegria de ser discípulo missionário integrado numa comunidade viva e acolhedora, porque está alicerçada em Cristo.

Jantar de Reis

Como o Pe Jorge dizia no final do jantar,a nossa paróquia tem-se construído sentados à mesa. Para além dos jantares semanais à sexta-feira, por ocasião do perCurso Alpha, é frequente, sob os mais diversos pretextos, termos jantares na nossa paróquia.

São oportunidades únicas de atrairmos pessoas que por hábito não vêm à Igreja, mas que estão dispostos a aceitar um convite para jantar. Para além disso, e talvez até mais importante que isso, são momentos fundamentais para consolidar os laços fraternos que nos unem à volta de uma fé comum: família que é família senta-se à mesa para comer e celebrar a alegria de estarem juntos.

A tibornada de bacalhau estava deliciosa e muitos repetiram várias vezes, o que comprova a qualidade culinária do petisco.

Como a Lugrade ofereceu parte do bacalhau e quase todos os restantes ingredientes também tinham sido oferecidos, aproveitámos ainda para angariar mais uns tostões para a construção do Centro Comunitário.

Passagem de Ano na Unidade Pastoral

À semelhança de anos anteriores, muitos paroquianos e famílias inteiras escolheram passar esta noite tão especial em comunidade.

Começámos com os aperitivos e partilha da refeição, num ambiente muito descontraído e fraterno e pouco antes das 23h00 tivemos uma Missa de Acção de Graças durante a qual pudemos agradecer o ano que findava, lembrámos alguns irmãos que partiram, e entregar à providência divina o ano que estava prestes a iniciar.

À meia-noite, estávamos de copo na mão para abrir os espumantes e dar as boas-vindas a 2019.

Bom ano a todos!

A liturgia do Natal do Senhor

O Natal é capaz de ser o acontecimento de índole cristã que mais mexe com a nossa sociedade.

Para os Cristãos, depois do período de Advento durante o qual preparamos o nosso coração para acolher o Deus Menino, é um dia de alegria que começa na noite anterior com o Jantar da Consoada e a Missa do Galo e que se prolonga ao longo de uma semana (a oitava do Natal), e que depois se alonga ainda até à chegada dos Magos com a Epifania.

Liturgicamente, é um período muito rico: canta-se o Glória, decoram-se as Igrejas com o Presépio, dá-se o Menino a beijar, cantam-se cânticos próprios desta época…

Folha Paroquial nº 59 *Ano II* 6.1.2019 — DOMINGO DA EPIFANIA DO SENHOR

«Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Mt 2, 1-12)
Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.»

Todos se reúnem e vêm ao teu encontro
Os profetas do Antigo Testamento foram essenciais para que um povo tão pequeno como Israel pudesse ao longo da história manter viva a sua esperança de povo messiânico e nunca desistir da terra que Deus lhe deu em herança. Os profetas eram homens de visão que iluminados pela fé e pelas promessas de Deus sabiam ler o presente e projetar-se no futuro. Vede como é bela a profecia de Isaías na 1ª leitura de hoje! Israel tinha acabado o seu exílio na Babilónia e ainda estava bem marcado pelo sofrimento e o desânimo, até porque o regresso foi uma desolação. Encontraram um país pobre e devastado e faltava o ânimo para começar a erguer a cidade e o país. Apesar disso sempre era melhor que estar exilado na Babilónia e o profeta lembra-lhes que ainda há pouco tempo a cidade estava vazia e em completa ruína num quadro de noite e de escuridão, mas agora uma luz de esperança se levanta sobre ela. E o profeta anuncia a chegada de uma luz salvadora «Sobre ti levanta-se o Senhor» E assim todos os que esperam a salvação de Deus virão a Jerusalém e inundá-la-ão de alegria e riquezas cantando os louvores de Deus.
Ontem como hoje, qualquer pessoa ou povo precisa de ter esperança e ter metas a alcançar para lutar. O livro dos Provérbios diz que “sem profecia o povo vive na corrupção” (proverbios29,18), mas outra tradução diz: «Sem visão o povo vive desorientado» o que quer dizer a mesma coisa. Por isso a promessa do profeta Joel para os tempos messiânicos é que «Naqueles dias os vossos filhos e filhas profetizarão, os vossos anciãos terão sonhos e os vossos jovens terão visões» (Joel 3,1)
Para muitos cristãos a situação da Igreja no Ocidente, retratada em muitas das nossas paróquias pode parecer também desanimadora. Há decréscimo do número de praticantes, há menos crianças na catequese e estas vão desaparecendo a partir do 3º ano da catequese e cada vez as referências da fé parecem estar mais ocultas da vida social e familiar. Vivemos numa cultura que não respeita a vida e se vai afastando cada vez mais das referências do evangelho inclusivamente nas famílias que se dizem cristãs. Mas nada está perdido; a Igreja já passou por estas situações mais vezes na sua história. Os homens e mulheres de hoje continuam a ter sede de Deus e de verdade pois “foram criados por Ele o seu coração vive inquieto enquanto não o encontra.” Então o que precisamos ? De sonho e de visão. A visão é um sonho que produz paixão em nós pois vemos no presente o que será o futuro. É uma imagem do futuro que vemos antecipadamente. E de onde vem essa imagem? Vem de Deus quando a pedimos em conjunto. Senhor o que queres de nós? Para onde devemos concentrar o nosso olhar no futuro? A escuta dos destinatários da nossa missão e a escuta da voz de Deus através da Igreja, ajuda-nos a encontrar essa imagem do futuro à qual deveremos ser fieis até que se realize.
Mas ela não se realiza por si, é preciso que se trabalhe muito e seja cada vez maior o número dos que se envolvem na realização da profecia ou da visão.
O texto dos Magos hoje mostra-nos que os príncipes dos sacerdotes, os escribas do povo e o próprio povo de Jerusalém sabiam onde devia nascer o Messias e dão essa informação a Herodes: “Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Apesar de saberem isso tudo, não mexeram um pé para irem ao seu encontro e a luz da salvação brilhou para os que O procuraram e adoraram humildemente e deixou na escuridão aqueles que sabiam tudo acerca d’Ele. Não chega saber e pertencer ao grupo dos que sabem. É necessário mexer-se e ir ao seu encontro.
Há extintores do sonho e da visão tais como: “Nunca fizemos isso”, preconceitos, fadiga, pensamento a curto prazo.
Os magos são homens de visão e de sonho. Desde que souberam ler nos astros um sinal, puseram-se a caminho guiados pela estrela da esperança e não desanimaram até que chegaram à realização da promessa que mudou as suas vidas.
Eu pessoalmente vejo as paróquias de S. José e S. João Baptista com grande esperança de futuro. Vejo–as a viver a comunhão fraterna na vivência do mandamento novo, acolhendo a todos com amor e alegrando-se com os novos que chegam, vejo os irmãos a crescerem na identificação com Cristo através de muitos pequenos grupos onde cada um é escutado e amado e onde todos podem ter voz e serem acolhidos não como números mas como pessoas. Vejo uma comunidade fiel à Eucaristia dominical que vai para ela como se fosse para uma festa, uma comunidade fiel ao serviço dos irmãos com uma grande capacidade de partilha com os mais pobres. Vejo crianças felizes por conhecerem a Deus e famílias que são oásis de vida e de amor num mundo de cultura de morte. Vejo uma comunidade que resplandece e que atrai aqueles que se sentem insatisfeitos com o vazio e a escuridão do mundo e que procuram sentido para a existência. Vejo uma comunidade comprometida com a paz e a justiça e dela brota gente com um espírito novo para o serviço nas diversas áreas da construção de um mundo mais justo. Vejo jovens que comprometidos com a sua fé seguem a Cristo segundo diferentes vocações onde alguns vão para o sacerdócio e vida consagrada. Porque não havemos de poder profetizar tempos novos? Deus diz em Jeremias 29, 11: “Eu conheço bem os desígnios que tenho acerca de vós, desígnios de prosperidade e não de calamidade, de vos garantir um futuro de esperança – oráculo do Senhor.”

Folha Paroquial nº 58 *Ano II* 30.12.2018 — SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ

«Ditosos os que temem o Senhor,
ditosos os que seguem os seus caminhos.»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Lc 2, 41-52)
Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados; e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração. E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.»

Hoje é o dia da família cristã: uma festa estabelecida por Paulo VI para que nós, cristãos, celebremos e aprofundemos o que pode ser um projeto familiar entendido e vivido a partir da fé em Jesus: Sim, porque a fé cristã, se é verdadeira, molda toda a nossa existência. É uma grande contradição ter fé e viver em desacordo com os ensinamentos do evangelho. Infelizmente não fomos capazes de transmitir às novas gerações o que é a graça de constituir uma família enraizada em Cristo e a viver no Senhor a vida familiar.
Este dia da família está ligado ao Natal. Que se passou no Natal? «O verbo fez-se carne». E o que quer isso dizer? Não quer dizer somente que Deus assumiu um corpo de homem. Mais do que isso, Ele assumiu também a nossa inteligência, a nossa vontade, a nossa sensibilidade. E hoje, na festa da Sagrada família, é-nos dito que Ele quis também viver e crescer numa família. Ele assumiu a encarnação em tudo. Aprendeu a falar, apesar de ser o Verbo de Deus, a palavra feita carne, aprendeu tudo. Ele poderia ganhar tempo sem isso tudo. O verbo de Deus que se fez carne é também o Verbo de Deus que se torna presente na família. É o Emanuel presente na família. É Jesus que salva que está na família também para a salvar.
Deus está presente no coração das famílias e no centro das relações familiares. E isto não é de espantar pois Ele é o Deus trinitário. E a família é como uma imagem sobre a terra da Trindade. Na família as pessoas são diferentes umas das outras, às vezes até fazemos a experiência disso de uma forma dolorosa: em certos momentos dizemos que esta diversidade é uma riqueza, mas há outros momentos em que não é nada fácil o que temos de suportar, o peso da diferença. Mas as pessoas da família são chamadas a viver na comunhão, na unidade com todas essas diferenças que são enriquecedoras. Há muitos textos do Novo Testamento que evocam esse convite à comunhão e caridade e a segunda leitura de hoje é um bom exemplo.
Um modo muito preciso de honrar esta presença de Deus na família, é a oração. Jesus diz-nos: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, eu estou no meio deles.” Então pensai nestas palavras quando estais em vossa casa. A família é uma igreja pequenina onde o Evangelho deve ser anunciado, celebrado e vivido. Madre Teresa de Calcutá, agora Santa Teresa dizia: «Transmite a oração à tua família, transmite-a aos teus filhos, ensina-os a rezar porque uma criança que reza é uma criança feliz, uma família que reza é uma família unida.»
Hoje mesmo os pais cristãos dão uma muito pequena importância à formação cristã dos filhos e privam-nos, a meu ver, do mais importante. Querem dar-lhes tudo o que os possa ajudar no futuro a terem um bom curso, mas dão pouca importância ao que pode ajudá-los a serem pessoas mais felizes. Viver a fé em família, levar os filhos à catequese e acompanhar esses momentos devia ser importante para os pais. Vemos que Maria e José têm cuidado em cumprir as prescrições da lei e de cumprir a vontade de Deus que lhes é manifestada e vão ao Templo para apresentar o Menino como mandava a lei do Senhor. É a forma de reconhecer que o seu filho não lhe pertence.
Apesar de a família de sangue ser muito importante para a felicidade de qualquer pessoa que venha a este mundo, também o foi para Jesus; no entanto, para Jesus a família não é o fim, algo de absoluto e intocável. Ela é um meio para nos preparar a construir a família humana. Por isso, o decisivo não é a família de sangue, mas a grande família que todos nós seres humanos havemos de ir construindo escutando o desejo do único Pai de todos. Inclusivamente os seus pais o terão que aprender, não sem problemas e conflitos, como nos revela o texto de hoje.
Segundo o relato de Lucas, os pais de Jesus procuram-no angustiados, ao descobrir que os abandonou sem parecer preocupar-se com eles. «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus surpreende-os com uma resposta inesperada: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Só aprofundando as suas palavras e o seu comportamento em relação à sua família, descobrirão progressivamente que, para Jesus, o que está em primeiro é a família humana para que seja mais fraterna, justa e solidária, tal como Deus a quer. Esta primazia não tira, porém, nenhuma importância ao valor da família de sangue e de afetos. É que se esta não funcionar bem, se não formos amados e não aprendermos aí a amar, não teremos o coração largo capaz de amar cada homem e cada mulher do nosso mundo. Ninguém é capaz de amar se antes não foi amado. Por isso a família de sangue não sendo o fim é realmente muito importante na construção da pessoa para que esta se dê à sociedade de uma forma generosa e construtiva.
Não podemos celebrar responsavelmente a festa de hoje sem escutar o desafio da nossa fé:
Como é a minha família? Vive comprometida com a Igreja e com uma sociedade melhor e mais humana, ou encerrada exclusivamente nos seus próprios interesses? Na minha família educa-se para a solidariedade, a construção da paz, para a sensibilidade aos mais necessitados, para a compaixão, ou ensinamos a viver para o bem-estar insaciável, o máximo lucro e o esquecimento dos outros?
O que está a acontecer nos nossos lares? Cuida-se da fé, lembramo-nos de Jesus Cristo, aprende-se a rezar, ou só se transmite indiferença, incredulidade e vazio de Deus? Educa-se para viver a partir de uma consciência moral responsável, sã coerente com a fé cristã, ou favorece-se um estilo de vida superficial, sem metas nem ideais, sem critérios nem sentido último?
Queira Deus fazer crescer em nós o sentido da família cristã e a sermos todos construtores de famílias felizes.