Arquivo da categoria Unidade Pastoral

Folha Paroquial – IV Domingo da Quaresma

“Não são as nossas obras que nos salvam, mas esse olhar de fé e confiança para Cristo que se ofereceu por nós, na cruz.”

A folha pode ser descarregada em: IV Domingo da Quaresma

«é pela graça que fostes salvos»

Todas as três leituras e o Salmo Responsorial são uma sinfonia ao amor e à misericórdia divina que nos salvou gratuitamente. São Paulo não cessa de o repetir na 2ª leitura: «é pela graça que fostes salvos» A salvação não vem de vós: é dom de Deus. Não se deve às obras: ninguém se pode gloriar. Nós temos dificuldade em acreditar numa bondade assim. Pensamos sempre que Deus poderá ser‐nos propício se nós formos bons, andarmos numa vida reta e nos portarmos sempre muito bem. Como não somos capazes, pensamos que não merecemos o amor de Deus. O que Paulo diz, é isso mesmo. Não merecemos. Mas Deus salvou‐nos não pelos nossos méritos, que não temos, mas gratuitamente, pela entrega do Filho unigénito. O Evangelho começa com uma referência a um episódio estranho, que mais parece magia, do livro do êxodo. Moisés usou um costume pagão conhecido noutras religiões vizinhas e fez uma serpente de bronze como que deitando fogo, sinal do veneno que mata, e colou‐a a um poste.
E Deus diz a Moisés: «Quando o povo for mordido, olhe para a serpente de bronze e será salvo». O que Moisés quer dizer é que há um só Deus que cura e salva. Olhai para a serpente, mas sabei que só Deus vos cura e salva. Olhar, contemplar, quer dizer «adorar». Quando olhais a serpente, que a vossa adoração se dirija ao Deus da aliança e a mais ninguém. Jesus retoma este episódio à sua conta, dizendo: «Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna». Assim sendo, da mesma forma que bastava ao povo no deserto elevar o olhar com fé para o Deus da Aliança para ser curado fisicamente, doravante, basta elevar o olhar com fé para Cristo crucificado para obter a cura espiritual e o perdão dos pecados. É o mesmo que S. João dirá no momento da crucifixão de Cristo: «Levantarão os olhos para Aquele que trespassaram.» (Jo19,37). Não são as nossas obras que nos salvam, mas esse olhar de fé e confiança para Cristo que se ofereceu por nós, na cruz. Para S. João a cruz é o momento da exaltação de Jesus porque ela é o lugar da revelação do amor de Deus. É neste momento em que a palavra “amor”, tão importante no quarto Evangelho, aparece pela primeira vez. “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito”.
É graças a este dom de Deus que João pode falar de amor. A Incarnação culmina na morte na Cruz e é a manifestação desse amor de Deus. A Cruz não é fonte de salvação pelo seu aspeto sacrificial e sangrento mas é salvação porque é a expressão sublime e definitiva desse amor divino e fonte de vida para os crentes. Estamos longe dessa visão da Cruz como lugar do abandono do Filho pelo Pai para resgatar os pecados do mundo. Na Cruz, o Pai e o Filho comungam do mesmo amor pelo mundo. » Deus amou tanto o mundo que… se entregou a si mesmo, entregando o Filho. No Evangelho de São João, o amor pelos homens é partilhado pelo Pai e pelo Filho. Ficamos assim a saber que o Filho de Deus na Cruz tem o poder de dar a vida a todos os que creem nele. Mas há algo que o Evangelho de hoje também nos revela: Em Jesus, o amor de Deus pelos homens é incondicional mas supõe também uma resposta do homem. A presença de Jesus exige que agora cada um escolha; é agora que o Julgamento se faz.
Este caráter definitivo e imediato do julgamento é a consequência da presença do revelador. Com a sua presença, o homem é compelido a fazer uma escolha e dessa escolha sai desde já a salvação ou a condenação.” (Da lectio da quaresma) E não devemos ver a condenação como se Deus dissesse, Já que não aceitas a salvação castigo‐te com a condenação. Não. A condenação o que é? É como se alguém estivesse doente, com cancro, e um médico lhe dissesse: «Para ser curado, toma este remédio. Mas o doente fica indiferente ao que lhe diz o médico e não tomou a decisão de tomar o remédio. Foi o médico que o condenou? Não. O médico ofereceu‐lhe a cura. O doente é que escolheu a morte, quando decido não tomar o remédio. Deus oferece‐nos a salvação que é o seu Filho. Se não aceitamos, Ele sofre com a nossa má decisão mas não nos pode substituir pois somos livres. Tem de ser uma escolha nossa, através de uma decisão livre. “Creio em ti, Senhor, e quero aceitar‐te (…)

Folha Paroquial – III Domingo da Quaresma

“Destruí este templo e em três dias o levantarei.”

A folha pode ser descarregada em: III Domingo da Quaresma

Jesus porém falava do Templo do Seu corpo

As realidades mais sagradas no Antigo Testamento eram o sábado e o templo. Um dia e um lugar. Jesus respeitando um e outro‐ o evangelho de hoje mostra‐nos como é devorado pelo zelo da Casa do Senhor‐ não os absolutizou. «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado», disse Jesus acerca do sábado.
E acerca do Templo disse: «Aqui está quem é maior do que o Templo». Se o templo, para a antiga aliança, era o lugar do encontro com Deus, como Ele tinha prometido a Salomão, agora com a Incarnação do Verbo, o lugar do encontro com Deus já não é um lugar, mas uma Pessoa, Jesus, o Filho Unigénito. «N’Ele habita corporalmente toda a plenitude dadivindade.»( Col 2,9) Ele é a imagem de Deus invisível, o primogénito de toda a criatura.»( Col 1,15), por isso, «Quem o vê, vê o Pai.» (Jo 14,9). Se agora Jesus é o lugar do encontro com Deus, então Ele é o novo Templo e infinitamente mais importante. Por isso, pode dizer. “Destruí este Templo, (O que vão fazer matando‐o) e Eu o reedificarei em três dias” (ressuscitou ao 3º dia) No Novo Testamento, Deus está presente no Corpo de Cristo. Na sua Ascensão Ele disse: “Estarei convosco até ao fim dos tempos”.
Agora, depois da sua morte e ressurreição, a sua presença real é no seu Corpo eclesial e no seu Corpo eucarístico. A maneira de ver a Deus dos gregos e dos judeus era a grandeza e o sucesso, a lógica de Jesus é a lógica da cruz e da humildade. «Os judeus pedem milagres e os gregos procuram a sabedoria. Quanto a nós, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios», diz S. Paulo na segunda leitura. Cristo morto e ressuscitado é a manifestação da Sabedoria de Deus que confunde a lógica e sabedoria humana.
Quando contemplamos o Corpo Eucarístico de Cristo, na hóstia consagrada, estamos diante do verdadeiro Templo de Deus, e podemos admirar, em ação de graças, Aquele que «sendo de condição divina se aniquilou a si próprio assumindo a condição de servo, obediente até á morte e morte de Cruz.» Além de se fazer servo, fez‐se pão para nos alimentar para nos transformar n’Ele. Neste fim de semana queremos meditar sobre a presença de Jesus nas espécies eucarísticas convidando a um grande movimento de adoração no seguimento do convite dos três últimos papas e de uma longa tradição da Igreja.

Relançamento da Adoração Eucarística na paróquia

No fim de semana de 3 e 4 de março está entre nós o P. Diederik para pregar sobre a adoração eucarística. Em S. João Baptista, estará presente na missa vespertina de sábado, às 17h30, e na missa da noite de Domingo, às 21h15.

Segunda-feira, 5 de Março, conferência aberta para toda a gente sobre a adoração eucarística no salão de S. José.  A homilia é demasiado pouco tempo para que o P. Diederik possa explicar o manancial da adoração eucarística.  Convidamos pois todos os paroquianos a virem a uma conferência na segunda feira para aprofundar melhor o tema.

 

Folha Paroquial – II Domingo da Quaresma

“Este é o meu Filho muito amado: escutai‐O.”

A folha pode ser descarregada em: II Domingo da Quaresma

Quando não conhecemos mais nada do que a terra que calcamos, a casa em que vivemos, a pequenez do mundo que habitamos, os pequenos vícios ou prazeres a que nos apegamos, eles tornam-se a nossa segurança, o nosso mundo que conhecemos e dominamos. Mas quando fazemos a experiência de algo maior, mais assombroso, inaudito, até aí desconhecido, somos capazes de deixar tudo e partir para esse Novo que nos é prometido. Esse algo maior é a experiência do amor de Deus.
Deus sabe bem que se não fizermos a experiência confiante do seu amor insondável, se não experimentarmos a grandeza e a beleza do divino, a que a Bíblia chama «Mistério», não deixaremos nada por causa d’Ele. Por isso a sua pedagogia foi sempre revelar-se primeiro, mostrar-nos o seu rosto de bondade, encher-nos de misericórdia e de esperança e depois então, e só então, reenvia-nos por caminhos novos, desinstala-nos, torna-nos peregrinos de um mundo novo. Sem a experiência do encontro com Ele, o seguimento de Jesus seria algo demasiado pesado e insuportável. Todo Aquele que experimentou o encontro com o Mistério de Deus, sente-se capaz de fazer mudanças e de arriscar caminhos novos na sua vida porque sabe em quem pôs a sua confiança. Estou a pensar em Abraão que, depois do seu encontro com Deus, ouve a Sua Palavra que lhe diz: “Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti uma grande nação e te abençoarei. E Abraão partiu como o Senhor lhe tinha indicado.” Como é que Abraão é capaz de deixar tanta coisa boa em si mesma? Tanta segurança, tantas terras e rebanhos que tinha? Porque experimentou algo maior e achou Deus digno de confiança. Assim tornou-se peregrino de uma promessa que se vai cumprindo lentamente até ao fim dos seus dias. Estou a pensar nos discípulos de Jesus que, amedrontados diante da expectativa da cruz, são convidados por Jesus a subirem ao Monte onde Deus, como a Abraão, lhes fala e revela o seu rosto resplandecente de beleza e santidade. Querem ficar ali para sempre, mas não foi para isso que Deus os chamou à Montanha, mas para que descessem transformados, capazes de deixarem a sua mentalidade de triunfo, de prestígio, de grandezas e serem capazes de seguir a Jesus até à cruz. Podíamos continuar a falar de Moisés, de Isaías, de Elias, de Paulo. E podíamos falar de tantos discípulos de hoje. Foi isso que Jesus disse a Madre Teresa de Calcutá, quando ia no comboio para fazer um retiro espiritual: «Deixa o colégio onde és professora de meninas ricas da sociedade e vai sem nada, para o meio dos mais pobres dos pobres de Calcutá». E ela deixou tudo e seguiu um caminho novo e incerto.
Recordo um dia ter convidado alguém que era contabilista para ser tesoureiro do Conselho económico de uma das paróquias de que era pároco. Depois de ter pensado um pouco respondeu com pena que não podia aceitar pois isso lhe ia tirar muito tempo, algumas noites para reuniões e que já tinha muito que fazer. Agradecia o convite e a manifestação da confiança que depositava nele mas por agora não. Mais tarde um familiar e amigo convidou-o para fazer um percurso Alpha no qual fez um encontro deslumbrante com Jesus ressuscitado. Passado um tempo, vem pedir desculpa por ter recusado o convite no ano anterior, dizendo-me que agora via bem que não era uma questão de estar ocupado mas não ter motivação para servir. Agora sim, estava pronto para servir Jesus na Igreja. E assim começou a fazer. Quando numa paróquia há poucos servidores, das duas uma; Ou não estão a ser chamados por ninguém ou ainda não têm motivação interior para servir e então o pároco e os mais responsáveis na paróquia devem pensar se estão a tornar possível às pessoas «subirem à montanha do Tabor» para se extasiarem com a presença do divino que nos transforma. É a isso que nos convida a Palavra de Deus deste domingo; A subirmos, com Jesus e os discípulos, ao Monte onde Deus se revela. Ele deseja que todos nós façamos a experiência do encontro com Ele…
Para aqueles que já fizeram essa experiência fundante, é preciso saber que somos fracos e que precisamos continuamente de sermos vivificados pela sua graça. Qual é o meu monte Tabor onde procuro o reencontro com Deus, onde renovo as forças para o servir, para sofrer com Ele, e para lhe dizer sim quando nos apetece dizer não?
Para mim o Tabor é a adoração eucarística durante longo tempo. N’Ele me deixo transfigurar, n’Ele recupero a paz, n’Ele é possível viver a alegria no meio das tribulações. E estou certo que para muitos assim é também. Por isso rezo para que a paróquia de S. José possa oferecer a Deus uma adoração incessante e oferecer a todos a oportunidade de virem ao seu encontro pois Ele os espera aqui no seu Santíssimo Sacramento.

Conferência-palestra: a Adoração : 24-02-2018 14h45

É hoje à tarde. Embora tenha sido pensada sobretudo para as crianças e pais da catequese, está também aberta a toda a comunidade. Oxalá possamos vir em grande número.

Assinalando o 5º aniversário de Adoração Eucarística prolongada na paróquia, teremos entre nós a Ir. Marta da Aliança de Santa Maria que nos virá falar da Adoração: às crianças e pais da catequese e a todos quantos queiram vir. Para quem esteve em Julho na Peregrinação Diocesana a Fátima, é a mesma Irmã que fez a conferência sobre os pastorinhos (muito bom): https://youtu.be/z5kDWmS0cnI

A conferência é as 14h45 dura 45 minutos e depois as crianças fazem um pequeno tempo de adoração que provavelmente não excederá a meia hora.

No final haverá missa às 17h30.

Conferências Quaresmais em S. José – Aproximai-vos do Senhor

Este ano as já tradicionais conferências quaresmais de S. José, agora do arciprestado de Coimbra Urbana, arrancaram com chave de ouro: o Dr Pedro Bingre, académico na Universidade de Coimbra, que se fez batizar aos 40 anos depois de um “longo inferno” sem Deus, homem de uma cultura bastante ampla e bem fundamentada, veio contar-nos o percurso que o levou à descoberta de Deus e da sua misericórdia.

Herdeiro de uma família que há várias gerações tem procurado viver sem Deus, sem sequer admitir falar de tal assunto por o considerar delirante e pueril, depois de ter procurado respostas para o sentido da vida na ciência e na filosofia ao longo da infância e adolescência, depois de pouco antes dos vinte anos ter vivido uma noite abominável por não encontrar sentido para a sua vida, iniciou um longo percurso que o haveria de levar a pedir o batismo em 2014.

Da paróquia de S. João Baptista estava lá um grande grupo e todos eram unânimes em dar por muito bem empreque o tempo dispendido: foi de facto um testemunho fantástico e que merece ser ouvido.

Para quem lá não esteve, a conferência está disponível em 

Folha Paroquial – Domingo I Domingo da Quaresma

“Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho.”

A folha pode ser descarregada em: Domingo I Domingo da Quaresma

Se fizéssemos um inquérito perguntado qual seria o tempo litúrgico mais apreciado dos cristãos, poucos certamente responderiam: a Quaresma. Automaticamente, muitos optariam pelo Natal ou pela Páscoa. Apesar desta desafeição, ela não deixa de ser fundamental. Ela é uma espécie de medicamento: não gostamos dele mas tomamo-lo porque é bom para nós.
Este primeiro domingo da Quaresma começa com as primeiras palavras registadas de Jesus: “Cumpriu-se o tempo e está
próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”. Todos os anos esta frase ressoa nas nossas igrejas, em particular no dia da imposição das cinzas. Nesse dia, longas filas de pessoas se aproximam do sacerdote para receber as cinzas na fronte e ouvir estas primeiras palavras de Jesus. No ano seguinte, novas filas se aproximarão para executar o mesmo rito. O rito será o mesmo, as pessoas serão diferentes. Algumas já lá não estarão porque morreram ou porque, por razões de saúde, já não poderão vir mais à igreja. Para essas, o sentido da expressão: “Cumpriu-se o tempo” teve um significado novo que, se calhar, no ano anterior nem foi percebido na sua urgência. Pensamos sempre que este ano será mais um ano, mas talvez este ano seja o meu ano, o ano da urgência, o ano em que o “arrependei-vos” me é dirigido de forma radical, como uma última chamada.

Folha Paroquial – Domingo VI do Tempo Comum

“Se quiseres podes curar-me.” Jesus tocou-lhe e disse: “Quero. Fica limpo.”

A folha pode ser descarregada em: Domingo 6 Tempo Comum

Eucaristia 09.02.2018 19h00

Eucaristia 09.02.2018 19h00
Paróquia São João Baptista – Coimbra
Informamos que excepcionalmente não haverá Eucaristia dia 09.02.2018 sexta-feira às 19h00 em virtude das Conferências “Enovar 18”.

«Em seu coração
o homem planeia o seu caminho,
mas o Senhor determina
os seus passos.
Provérbios 16:9»

Folha Paroquial – Domingo V do Tempo Comum

Louvai o Senhor, que salva os corações atribulados.

A folha pode ser descarregada em: Domingo 5 Tempo Comum

O texto do evangelho de hoje mostra-nos um dia da atividade messiânica de Jesus. Começa, pela manhã, em casa da sogra de Pedro que está com febre e prostrada na cama. Jesus aproxima-se, – Jesus sempre se faz próximo – tomou-a pela mão, (a força do gesto) e levantou-a, como fez à menina de 12 anos que estava já morta e a quem disse: “Talitha kum, menina levanta-te.” Curada por Jesus, a sogra de Pedro pode começar a servi-los. O discípulo de Cristo serve como expressão da sua fé e do seu ser de discípulo. Quem experimentou o poder do amor de Jesus que sendo de condição divina se fez servo, obediente até à morte e morte de cruz, só pode fazer da sua vida um serviço. Jesus foi o servo da humanidade que lhe lavou os pés e que disse: “Aquele que quiser ser meu discípulo, será como o filho do Homem que não veio para ser servido mas para servir e dar a vida”. Cristão que não esteja disponível para servir com amor e humildade, pode acreditar em Jesus, mas ainda não é seu seguidor. Pelo menos falta-lhe este grande pilar do discípulo, o serviço aos outros, nomeadamente à comunidade.
“Ao cair da tarde, já depois do sol posto”- Começámos de manhã e já vamos no final do dia – trouxeram-lhe todos os doentes da cidade que ficaram reunidos junto da porta. A pobre casa de Simão nunca terá visto tanta gente, se bem que é preciso pensar que cidade era um ajuntamento relativamente pequeno, como sabemos hoje. Cafarnaum não devia ter mais de 250 pessoas.
Jesus cura os doentes que lhe trazem, ensina e expulsa os demónios. Jesus não cura só por curar, mas aproveita para ensinar, para formar, para levar à conversão. Outro pilar importante da vida do discípulo é a formação, deixar-se ensinar pela Palavra de Deus, procurar solidificar a sua fé para se enraizar em Cristo e na sua doutrina.
Entretanto vem a noite e o descanso. O texto continua: « De manhã muito cedo, levantou-se e saiu. Para onde? “ Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar”. Outro dado da atividade de Jesus. Um grande tempo do seu dia é dedicado à oração. Os evangelhos mostram-nos Jesus a rezar longamente, de manhãzinha, à tarde, ao cair do sol, pela noite dentro. Todas as horas servem para Jesus se retirar para estar a sós com o Pai. Outro pilar da vida do discípulo a dar uma importância capital é a vida de oração onde nos abrimos à graça salvadora de Deus.
Sem oração vivemos exclusivamente das nossas forças naturais e não vamos longe, mas pela oração e pela frequência dos sacramentos acolhemos em nós a vida divina, a vida do Espírito que nos fortalece, nos anima, nos cura e nos ajuda a viver as virtude teologais de fé, esperança e caridade. Mas como acontece a quem está na vida ativa, muitas vezes o orante é interrompido pelo grito dos que estão impacientes para serem ajudados. Desta vez são os discípulos que interrompem a oração de Jesus para Lhe dizerem: “Todos Te procuram.”
Como que a quererem dizer-Lhe: «Como consegues estar aqui na calma e na paz quando tanta gente clama por ti?» E a resposta de Jesus pode confundir-nos. Quando tantos O procuram, Ele diz aos discípulos: “Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas afim de pregar aí também”. Jesus não se deixa levar pelo sucesso, que é uma armadilha. Isso tinha sido a tentação do demónio no deserto à qual Jesus resistiu. As pessoas curadas, falavam d’Ele e a sua fama espalhou-se à volta e agora todos queriam vê-l’O. Mas já tinham os sinais suficientes para acreditarem n’Ele e se converterem. Jesus não é um curandeiro ou um milagreiro. Ele veio chamar os homens à conversão apresentando-lhes os sinais do Reino, mas não satisfaz a curiosidade de quem procura ver o maravilhoso. «Vamos, pois para outras aldeias para aí pregar pois foi para isso que Eu vim.»
O que Jesus procura é levar os homens à conversão da vida pelo anúncio do Evangelho, para que eles se abram a Deus e sejam salvos. Este é outro pilar da vida do discípulo, a evangelização que leva à fé.
Assim, no texto de hoje vemos Jesus que evangeliza, curando e ensinando, que reza, que serve e leva outros a servir. Que tempo damos à oração na nossa vida? Encontramos alegria e disponibilidade para o serviço com humildade e amor? Que tempo dedicamos a aprofundar a nossa fé, deixando-nos ensinar pela palavra de Deus e participando em encontros de formação espiritual e doutrinal? Vivemos o zelo pela missão que Jesus nos confiou de ir e ser testemunha d’ Ele?