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Folha Paroquial nº 144 *Ano III* 01.11.2020 — SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS

Esta é a geração dos que procuram o Senhor.

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“EVANGELHO (Mt 5, 1-12)
Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

OH DITOSA IGREJA NOSSA MÃE

Este é um dos belos dias de festa que a Igreja nossa mãe nos proporciona viver. É um dia cheio de alegria, de júbilo e de festa emotiva. Hoje lembramo-nos da totalidade da Igreja que somos; a Igreja que ainda peregrina na terra, na esperança de chegar à pátria celeste, e a Igreja que já lá chegou e agora canta sem cessar os louvores eternos de Deus. Eles são os bem-aventurados que “se alegram e exultam, pois é grande nos céus a sua recompensa.” Hoje, convido-vos a aprofundar este mistério com as orações do missal. Ele começa com a antífona de entrada que, muitas vezes, se torna o cântico de entrada da missa: Exultemos de alegria no Senhor, celebrando este dia de festa em honra de todos os Santos. Nesta solenidade alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

Depois do canto do hino do “Glória”, segue-se a oração de coleta do Presidente da celebração que recolhe a oração íntima e silenciosa dos fiéis, depois de os ter convidado à oração dizendo: Oremos…

Deus eterno e omnipotente, que nos concedeis a graça de honrar numa única solenidade os méritos de todos os santos, dignai-vos derramar sobre nós, em atenção a tão numerosos intercessores, a desejada abundância da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo….

Quase todos os dias a Igreja honra um ou mais santos, mas hoje é uma festa da santidade na igreja, de todos os seus ilustres conhecidos e desconhecidos, essa multidão imensa que ninguém pode contar e que estão vestidos com túnicas brancas e de palmas vitoriosas na mão, aclamando dia e noite o Cordeiro e seguindo-o para onde quer que Ele vá.

As 3 leituras vão-nos dando conta do mistério: «Esses que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e de onde vieram?». Eu respondi-lhe: «Meu Senhor, vós é que o sabeis». Ele disse-me: «São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro». Por isso agora cantam sem cessar diante do trono de Deus e do Cordeiro: «A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro».

No salmo responsorial, respondemos à Palavra escutada com júbilo e emoção: «Esta é a geração dos que procuram o Senhor».
A segunda leitura convida-nos a contemplar o amor do Pai que quis que fôssemos seus filhos no Filho. E S. João afirma com convicção: “E somo-lo de facto”. Mas depois, acrescenta: É certo que ainda não vimos tudo o que significa o facto de Deus querer que vivamos esta maravilhosa relação filial com Ele. Mas, quando virmos tudo claramente, isto é, quando chegarmos ao céu, então ficaremos extasiados porque veremos a Deus, face a face, e à luz d’Ele, ver-nos-emos a nós mesmos e àquilo que Ele quis para nós e, por isso, resta-nos a adoração, a ação de graças, o louvor eterno.

O Evangelho apresenta-nos o caminho da santidade, ou bem-aventurança, que é a mesma coisa. Esse caminho está resumido logo na primeira bem-aventurança: Bem-aventurados os que põem a sua alegria, a sua confiança e a sua esperança só em Deus; Poderão passar por muitas dificuldades, mas Deus não lhes faltará e o reino de Deus pertence-lhes. Porém, é no prefácio, esse louvor que antecede a aclamação do Santo, que a Igreja, através do sacerdote, dá largas à sua alegria e ao seu júbilo agradecido cantando-Lhe entusiasmadamente:
Senhor, Pai santo, é nosso dever dar-Vos graças, sempre e em toda a parte: Hoje nos dais a alegria de celebrar a cidade santa, a nossa mãe, a Jerusalém celeste, onde a assembleia dos Santos, nossos irmãos, glorificam eternamente o vosso nome. Peregrinos dessa cidade santa, para ela caminhamos na fé e na alegria, ao vermos glorificados os ilustres filhos da Igreja, que nos destes como exemplo e auxílio para a nossa fragilidade.

Por isso, com todos os Anjos e Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:
Logo que o presidente termina, a assembleia irrompe na aclamação do “Santo”, afirmando que só Ele é Santo, três vezes Santo, e que, se alguém, ou alguma coisa, pode ser chamada santa, para além de Deus, é porque Lhe pertence e irradia a Sua santidade. Por isso o sacerdote continua rezando: “Senhor vós sois verdadeiramente santo, sois a fonte de toda a Santidade.

E a celebração eucarística termina, com chave de ouro, através da oração conclusiva da missa. Depois da comunhão e do silêncio sagrado que se lhe segue, ou do cântico depois da Comunhão, o sacerdote, antes de terminar a missa, reza a oração que a conclui e que é uma ação de graças pelo mistério celebrado. Quando somos convidados por um amigo para uma festa de banquete em sua casa, há as despedidas no final, e nós agradecemos ao dono da casa o convite e a honra que sentimos em ter estado em tão bela festa e quanto ela nos fez bem. É isso que o sacerdote faz, em nome de toda a assembleia, ao grande Senhor que nos convidou para o banquete. No dia de todos os santos, dizemos-Lhe no final: «Nós vos adoramos, Senhor nosso Deus, única fonte de santidade, admirável em todos os santos, e confiadamente Vos pedimos a graça de chegarmos também nós à plenitude do vosso amor e passarmos desta mesa de peregrinos ao banquete da pátria celeste. Por nosso Senhor…»

E é a razão porque celebramos esta festa. Para avivarmos em nós o desejo e o ardor de passarmos desta mesa de peregrinos ao banquete da pátria celeste, fazendo o caminho da fé.

Como é bela a celebração da Eucaristia quando a celebramos com fé! Ela transforma-nos, cura-nos, encoraja-nos, reaviva a nossa esperança, ergue o nosso olhar do chão quotidiano para os altos montes donde nos vem o auxílio.”

«Jesus chamou os que queria e foram ter com Ele» – Semana dos Seminários 2020

A Semana dos Seminários de 2020 tem como fonte de inspiração a palavra do Evangelho: «Jesus chamou os que queria e foram ter com Ele» (Mc. 3,13). Ela apresenta de modo sintético os elementos estruturantes da vocação: o chamamento do Senhor e a resposta dos discípulos, confirmada pela decisão de ir ter com Ele. A esta luz evangélica se entende melhor a natureza e a missão dos seminários como comunidades que congregam aqueles que o Senhor chamou à vocação sacerdotal e se dispuseram a ir ter com o Mestre para aprender com Ele e configurar a vida com a Sua, preparando-se assim para serem discípulos missionários. Neste sentido se pronunciou a XV Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos de 2018, reafirmando que «os seminários e casas de formação são lugares de grande importância onde os jovens, chamados ao sacerdócio e à vida consagrada, aprofundam a sua escolha vocacional e a amadurecem no seguimento» (Documento Final, nº20).

A citada frase do Evangelho aparece num contexto em que as palavras e gestos de Jesus de Nazaré enchiam de espanto as multidões e a sua pessoa suscitava grande fascínio naqueles que O acompanhavam por toda a Galileia. Volvidos vinte séculos, o referido Sínodo assinalou que «muitos jovens são fascinados pela figura de Jesus. A sua vida parece-lhes boa e bela, porque pobre e simples, feita de amizades sinceras e profundas, gasta generosamente com os irmãos, nunca fechada para ninguém, mas sempre disponível ao dom. A vida de Jesus permanece também hoje profundamente atraente e inspiradora; é para todos os jovens uma provocação que interpela» (Documento Final, nº 82).

O  chamamento que o Senhor fez então, continua a fazê-lo nos nossos dias. Trata-se de uma escolha livre, uma eleição surpreendente, puro dom da graça divina e não resultado dos méritos ou propósitos humanos. A vocação sacerdotal é, de facto, da ordem do mistério, do mistério da liberdade divina que se entrelaça com a liberdade do homem. Àqueles que primeiro foram chamados, Jesus reafirmará mais tarde: «Não fostes vós que me escolhestes, fui Eu que vos escolhi a vós» (Jo.15,16), conferindo-lhes até a dignidade de amigos. O que Ele tem a oferecer aos seus escolhidos é uma história de amizade profunda, uma história de vida plena.

A resposta ao chamamento de Jesus suscitou nos primeiros discípulos a decisão de ir ter com Ele. Aproximar-se do Senhor, reunir-se com todos os que querem caminhar com Ele, é o desígnio de quem se dispõe a ser discípulo e sacerdote em nome de Cristo. A opção pela vida sacerdotal com o pedido de ingresso ao seminário, exige hoje, porventura mais do que noutras épocas, uma fé corajosa. Numa cultura que promove o provisório e induz ao experimentalismo, uma opção de tal radicalidade supõe uma fé capaz de arriscar, uma fé consciente de que é preciso deixar algumas pedras preciosas porque se encontrou o verdadeiro tesouro.

Desejo que esta Semana dos Seminários sirva para despertar em todos nós três atitudes: gratidão, compromisso e esperança.

Damos graças a Deus porque continua a chamar alguns para serem pastores do seu povo e por todos os jovens e adultos que souberam escutar e responder com generosidade, fazendo parte das comunidades dos vários seminários do país. Gratidão é devida também às equipas formadoras dos seminários e a todos os professores e colaboradores que se empenham na exigente tarefa de formar pastores.  Sem esquecer o justo reconhecimento aos seminários pelo seu incomparável papel histórico, desde os tempos de S.Bartolomeu dos Mártires, na renovação da Igreja e na formação humana e cristã de tantas gerações de jovens de todo o país, incluindo os que não foram ordenados.

O compromisso de todos para com o seminário é indispensável para que ele cumpra a sua missão. Essa responsabilidade é pedida, antes de mais, ao clero chamado a assumir o seu papel no processo formativo e a manifestar solicitude, comunhão e proximidade para com o seminário. Também às famílias e comunidades cristãs se pede que tenham consciência da importância do seu apoio e acompanhamento aos seminaristas. E os cristãos não esqueçam que o seu compromisso para com os seminários se pode manifestar de tantas formas: na oração, na ajuda material e outros expressões de interesse e preocupação.

Esperança é o sentimento que pode crescer em nós com a celebração desta semana. Ela funda-se na convicção de que Deus não abandona o seu povo mas, pela ação do Espírito, renova sempre a vida da Igreja e lhe abre caminhos novos. Depositamos também muita esperança nos seminaristas que estão a fazer o seu percurso formativo para serem, na altura própria, os pastores que a Igreja precisa, segundo o modelo de Cristo, Bom Pastor. E esperamos que os jovens e adultos a quem o Senhor continua a chamar não tenham medo e saibam responder com generosidade e alegria.

A Família na Bíblia – D. António Couto

Conferência proferia por D. António Couto no âmbito das Jornadas Nacionais de Catequistas – “CATEQUESE E FAMÍLIA” – que decorreram de 23 a 25 de outubro 2020 por videoconferência nos canais da Educris.

Folha Paroquial nº 143 *Ano III* 25.10.2020 — DOMINGO XXX DO TEMPO COMUM

Eu Vos amo, Senhor: sois a minha força.

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“EVANGELHO (Mt 22, 34-40)
Naquele tempo, os fariseus, ouvindo dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus, reuniram-se em grupo, e um doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar: «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?». Jesus respondeu: «‘Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo, porém, é semelhante a este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

O MANDAMENTO DO AMOR A DEUS E AO PRÓXIMO

Há uma frase bíblica que ao mesmo tempo que me dá alegria me levanta questões. É a seguinte: “Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” Paulo diz que a esperança cristã é fundada em algo que já existe em nós. Assim como a esperança da mulher grávida que traz um filho no ventre não é uma esperança sem fundamento, assim a esperança cristã tem um poderoso fundamento: o amor de Deus já derramado nos nossos corações, pelo Espírito Santo. O amor de Deus infinito e eterno manifestou-se de modo supremo na morte de cruz do Filho unigénito e a sua ressurreição criou uma explosão do amor trinitário em nós. As barreiras que nos separavam de Deus foram aniquiladas com a cruz do Senhor e nós, agora, podemos experimentar todo o amor que Deus é, através do Espírito Santo. Jesus já o tinha dito: “Aquele que me ama será amado por meu Pai, nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada.” Então, esse amor eterno, infinito, inefável, que criou o mundo, foi-nos dado e vive em nós. Nós já não apenas sabemos que Deus nos ama, como a Bíblia no-lo repete tantas vezes e que constitui o primeiro anúncio da Igreja: “Deus ama-te, Deus ama-nos, Somos amados por Deus”; mas, mais do que isso, experimentamos em nós o seu amor, pois foi derramado abundantemente em nossos corações. Isso é para mim fonte de admiração e de gratidão para com Deus, mas levanta-me também algumas perguntas: Porque é que então, nós, cristãos, não amamos mais? Porque é que tantas vezes tenho de pedir a Deus a graça de saber amar, de saber dar-me, de vencer o meu desejo de comodismo? Porque é que o amor a todos não é assim tão natural e temos ainda tendência para nos fecharmos no nosso egoísmo? Para que precisamos nós, depois de Cristo, no Novo Testamento, de um mandamento que nos mande amar a Deus e ao próximo? Não devia ser natural em nós? Às vezes, chegamos a sentir mesmo por algumas pessoas aquilo que um cristão nunca devia sentir: sentimentos negativos. E isso causa-nos tristeza, pois desejamos amar. O papa Bento XVI, na bela e memorável encíclica que vale a pena ler muitas vezes, «Deus caritas est», diz : “Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos, agora o amor já não é apenas um mandamento, mas é a resposta ao dom com que Deus vem ao nosso encontro” (nº 1 da DCE). Compreendemos estas palavras, mas sentimos que muitas vezes a nossa resposta a este dom é muito fraca quando amamos pouco os irmãos à maneira de Deus. E o papa acrescenta como, em Cristo, devemos amar o próximo: “Eu amo, em Deus e com Deus, a pessoa que não me agrada ou que nem conheço sequer. Isto só é possível realizar-se a partir do encontro íntimo com Deus, um encontro que se tornou comunhão de vontade, chegando mesmo a tocar o sentimento. Então aprendo a ver aquela pessoa já não somente com os meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspetiva de Jesus Cristo.” Ah, aqui já há uma resposta mais concreta e tranquilizadora à minha (nossa?) questão. E depois Bento XVI acrescenta: “Se na minha vida falta totalmente o contacto com Deus, posso ver no outro sempre e apenas o outro e não consigo reconhecer nele a imagem divina. Mas, se na minha vida negligencio completamente a atenção ao outro, importando-me apenas com ser «piedoso» e cumprir os meus deveres religiosos, então definha também a relação com Deus. (…) Só a minha disponibilidade para ir ao encontro do próximo e demonstrar-lhe amor é que me torna sensível também diante de Deus.”

Em conclusão, o papa explica-nos que para amarmos os irmãos com o amor de Deus e à maneira de Deus, só é possível se vivermos em intimidade com Deus, deixando-nos conduzir pelo seu amor derramado nos nossos corações; mas, para isso, não nos podemos fechar numa religiosidade intimista e individualista mas numa comunhão amorosa com Deus aberta ao cumprimento da sua vontade e sempre questionando-nos se estamos a aderir à vontade de Deus. Porque estamos marcados pelos efeitos em nós do pecado original, o amor ao próximo, sobretudo àquele para quem não me sinto inclinado pelos laços de sangue ou de empatia, deve ser uma decisão amorosa e livre da nossa vontade. Eu tenho de decidir amar por um ato livre e não estar à espera que me venha a vontade de amar. Esta minha disponibilidade interior para ir ao encontro do próximo e demonstrar-lhe amor vai curando o meu coração das feridas do egoísmo e vai-o alargando a uma dimensão da caridade cada vez maior. Foi assim que começaram os santos, como Teresa de Calcutá. Um jornalista americano que um dia acompanhou Madre Teresa viu-a tratar uma pessoa com feridas em tão grande putrefação que exclamou alto: «Eu não fazia este trabalho por dinheiro nenhum do mundo». Madre Teresa ergue-se, olha para ele, e agarrando o crucifico pendurado no seu sari, exclama decididamente: “E eu também não, sr. Jornalista. Não fazia isto por dinheiro nenhum do mundo. Faço-o gratuitamente porque Este mo mandou e me dá forças e amor para o fazer.” O amor cristão vai muito para além de um humanismo. Como diz Bento XVI, “Se na minha vida falta totalmente o contacto com Deus, posso ver no outro sempre e apenas o outro e não consigo reconhecer nele a imagem divina”.

Às vezes, quando se fala de caridade na igreja, muitos pensam logo só, e apenas, naquelas formas tradicionais de ajuda aos pobres que não têm que comer e vivem em situações miseráveis. E assim, quando pelo desenvolvimento da sociedade já não se vêm muito ou são sempre os mesmos, já não precisamos de praticar a caridade. Mas o amor é para viver em todas as circunstâncias. Se quando temos um idoso em tempo de covid, na nossa família, a ficar isolado e com medo e não o visitamos nem lhe damos afeto, onde está a nossa caridade? Neste tempo de covid, pensemos mais nesta faixa de população que está a viver situações dramáticas de solidão. Inventemos formas de manifestar o nosso amor, pois o amor é criativo. E perguntemo-nos todos os dias, ao fim de cada dia: «Hoje pratiquei a caridade com alguém?» Interessei-me pelos outros, para além daqueles que tenho de cuidar pelos laços do sangue? E, no início do dia, que a nossa oração possa conter um pedido e uma lembrança: «Ajuda-me a não passar ao lado de alguém que precise de uma palavra amiga, de um gesto de ternura, de um olhar de compreensão e que eu, pela minha distração ou pressa, lho negue. Que eu seja manifestação do teu amor eterno para os irmãos que eu encontrar.»
Felizes os que se disponibilizam para amar quotidianamente! Salvam a sua vida do vazio e do inferno, e abrem para si mesmos e para os outros as portas do Céu.”

ALPHA Jovens Online – 18 Nov

Queremos começar em Coimbra um Alpha com jovens e adolescentes mais maduros (a partir dos 16 anos) nos serões de 10 quarta-feiras a partir de 18 de Novembro.

O que é o ALPHA Jovem?

Todos têm perguntas e Alpha é o lugar certo para trazê-las à conversa! O Alpha Jovens consiste numa série de doze episódios que exploram os fundamentos básicos da fé Cristã. Filmada em Vancouver, Londres, Paris e Jerusalém, a série foi projetada para envolver os convidados em conversas sobre fé, a vida e Jesus. Cada encontro do Alpha inclui descontração, um vídeo e conversa desinibida.

Este Alpha Jovens foi elaborado para jovens a partir dos 13 anos que estão a crescer e têm perguntas sobre a fé. Muitos jovens mais velhos em idade universitária também estão a fazer Alpha Jovens e propomos que dês uma vista de olhos aos primeiros episódios (link para a versão brasileira mais abaixo) para verificares como a série pode ajudar-te a responderes às tuas questões.

Os vídeos

Com a duração de entre 20 e 25 minutos, cada episódio do Alpha Jovens apresenta os fundamentos básicos da fé Cristã, abordando questões como “Quem é Jesus?”, “Como Podemos ter Fé?” “Por Que e Como Devo Orar?”.

Conversa

Em cada episódio há três pausas para desconversar! Essas pausas proporcionam uma oportunidade para partilhar opiniões e ideias sobre o assunto da sessão e comentá-las em pequenos grupos.

 

2 Nov – Comemoração de todos os fiéis defuntos

Horários das missas:

08h30 – SJosé
19h00 – SJosé
21h00 – SJBaptista
 
Depois de ter cantado a glória e a felicidade dos Santos que «gozam em Deus a serenidade da vida imortal», a Liturgia, desde o início do século XI, consagra este dia à memória dos fiéis defuntos.
É uma continuação lógica da festa de Todos os Santos. Se nos limitássemos a lembrar os nossos irmãos Santos, a Comunhão de todos os crentes em Cristo não seria perfeita. Quer os fiéis que vivem na glória, quer os que vivem na purificação, preparando-se para a visão de Deus, são todos membros de Cristo pelo Baptismo. Continuam todos unidos a nós. A Igreja peregrina não podia, por isso, ao celebrar a Igreja da glória, esquecer a Igreja que se purifica no Purgatório.
É certo que a Igreja, todos os dias, na Missa, ao tornar sacramentalmente presente o Mistério Pascal, lembra «aqueles que nos precederam com o sinal da fé e dormem agora o sono da paz» (Prece Eucarística 1). Mas, neste dia, essa recordação é mais profunda e viva.
O Dia de Fiéis Defuntos não é dia de luto e tristeza. É dia de mais íntima comunhão com aqueles que «não perdemos, porque simplesmente os mandámos à frente» (S. Cipriano). É dia de esperança, porque sabemos que os nossos irmãos ressurgirão em Cristo para uma vida nova. É, sobretudo, dia de oração, que se revestirá da maior eficácia, se a unirmos ao Sacrifício de reconciliação, a Missa.
No Sacrifício da Missa, com efeito, o Sangue de Cristo lavará as culpas e alcançará a misericórdia de Deus para os nossos irmãos que adormeceram na paz com Ele, de modo que, acabada a Sua purificação, sejam admitidos no Seu Reino.

«Estende a tua mão ao pobre» – 15 Nov – Dia Mundial do Pobre

«Estende a tua mão ao pobre» (Sir 7, 32)

«Estende a tua mão ao pobre» (Sir 7, 32): a sabedoria antiga dispôs estas palavras como um código sacro que se deve seguir na vida. Hoje ressoam com toda a densidade do seu significado para nos ajudar, também a nós, a concentrar o olhar no essencial e superar as barreiras da indiferença. A pobreza assume sempre rostos diferentes, que exigem atenção a cada condição particular: em cada uma destas, podemos encontrar o Senhor Jesus, que revelou estar presente nos seus irmãos mais frágeis (cf. Mt 25, 40).

1. Tomemos nas mãos o Ben-Sirá, um dos livros do Antigo Testamento. Nele encontramos as palavras dum mestre da sabedoria que viveu cerca de duzentos anos antes de Cristo. Andava à procura da sabedoria que torna os homens melhores e capazes de perscrutar profundamente as vicissitudes da vida. E fê-lo num período de dura prova para o povo de Israel, um tempo de dor, luto e miséria por causa da dominação de potências estrangeiras. Sendo um homem de grande fé, enraizado nas tradições dos pais, o seu primeiro pensamento foi dirigir-se a Deus para Lhe pedir o dom da sabedoria. E o Senhor não lhe deixou faltar a sua ajuda.

Desde as primeiras páginas do livro, Ben-Sirá propõe os seus conselhos sobre muitas situações concretas da vida, sendo a pobreza uma delas. Insiste que, na contrariedade, é preciso ter confiança em Deus: «Não te perturbes no tempo do infortúnio. Conserva-te unido a Ele e não te separes, para teres bom êxito no teu momento derradeiro. Aceita tudo o que te acontecer e tem paciência nas vicissitudes da tua humilhação, porque no fogo se prova o ouro, e os eleitos de Deus no cadinho da humilhação. Nas doenças e na pobreza, confia n’Ele. Confia em Deus e Ele te salvará, endireita os teus caminhos e espera n’Ele. Vós que temeis o Senhor, esperai na sua misericórdia, e não vos afasteis, para não cairdes» (2, 2-7).

2. Página a página, descobrimos um precioso compêndio de sugestões sobre o modo de agir à luz duma relação íntima com Deus, criador e amante da criação, justo e providente para com todos os seus filhos. Mas, a constante referência a Deus não impede de olhar para o homem concreto; pelo contrário, as duas realidades estão intimamente conexas.

Demonstra-o claramente o texto donde se tirou o título desta Mensagem (cf. 7, 29-36). São inseparáveis a oração a Deus e a solidariedade com os pobres e os enfermos. Para celebrar um culto agradável ao Senhor, é preciso reconhecer que toda a pessoa, mesmo a mais indigente e desprezada, traz gravada em si mesma a imagem de Deus. De tal consciência deriva o dom da bênção divina, atraída pela generosidade praticada para com os pobres. Por isso, o tempo que se deve dedicar à oração não pode tornar-se jamais um álibi para descuidar o próximo em dificuldade. É verdade o contrário: a bênção do Senhor desce sobre nós e a oração alcança o seu objetivo, quando são acompanhadas pelo serviço dos pobres.

3. Como permanece atual, também para nós, este ensinamento! Na realidade, a Palavra de Deus ultrapassa o espaço, o tempo, as religiões e as culturas. A generosidade que apoia o vulnerável, consola o aflito, mitiga os sofrimentos, devolve dignidade a quem dela está privado, é condição para uma vida plenamente humana. A opção de prestar atenção aos pobres, às suas muitas e variadas carências, não pode ser condicionada pelo tempo disponível ou por interesses privados, nem por projetos pastorais ou sociais desencarnados. Não se pode sufocar a força da graça de Deus pela tendência narcisista de se colocar sempre a si mesmo no primeiro lugar.

Manter o olhar voltado para o pobre é difícil, mas tão necessário para imprimir a justa direção à nossa vida pessoal e social. Não se trata de gastar muitas palavras, mas antes de comprometer concretamente a vida, impelidos pela caridade divina. Todos os anos, com o Dia Mundial dos Pobres, volto a esta realidade fundamental para a vida da Igreja, porque os pobres estão e sempre estarão connosco (cf. Jo 12, 8) para nos ajudar a acolher a companhia de Cristo na existência do dia a dia.

4. O encontro com uma pessoa em condições de pobreza não cessa de nos provocar e questionar. Como podemos contribuir para eliminar ou pelo menos aliviar a sua marginalização e o seu sofrimento? Como podemos ajudá-la na sua pobreza espiritual? A comunidade cristã é chamada a coenvolver-se nesta experiência de partilha, ciente de que não é lícito delegá-la a outros. E, para servir de apoio aos pobres, é fundamental viver pessoalmente a pobreza evangélica. Não podemos sentir-nos tranquilos, quando um membro da família humana é relegado para a retaguarda, reduzindo-se a uma sombra. O clamor silencioso de tantos pobres deve encontrar o povo de Deus na vanguarda, sempre e em toda parte, para lhes dar voz, defendê-los e solidarizar-se com eles face a tanta hipocrisia e tantas promessas não cumpridas, e para os convidar a participar na vida da comunidade.

É verdade que a Igreja não tem soluções globais a propor, mas oferece, com a graça de Cristo, o seu testemunho e gestos de partilha. Além disso, sente-se obrigada a apresentar os pedidos de quantos não têm o necessário para viver. Lembrar a todos o grande valor do bem comum é, para o povo cristão, um compromisso vital, que se concretiza na tentativa de não esquecer nenhum daqueles cuja humanidade é violada nas suas necessidades fundamentais.

5. Estender a mão leva a descobrir, antes de tudo a quem o faz, que dentro de nós existe a capacidade de realizar gestos que dão sentido à vida. Quantas mãos estendidas se veem todos os dias! Infelizmente, sucede sempre com maior frequência que a pressa faz cair num turbilhão de indiferença, a tal ponto que se deixa de reconhecer todo o bem que se realiza diariamente no silêncio e com grande generosidade. Assim, só quando acontecem factos que transtornam o curso da nossa vida é que os olhos se tornam capazes de vislumbrar a bondade dos santos «ao pé da porta», «daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus» (Francisco, Exort. ap. Gaudete et exsultate, 7), mas dos quais ninguém fala. As más notícias abundam de tal modo nas páginas dos jornais, nos sites da internet e nos visores da televisão, que faz pensar que o mal reine soberano. Mas não é assim. Certamente não faltam a malvadez e a violência, a prepotência e a corrupção, mas a vida está tecida por atos de respeito e generosidade que não só compensam o mal, mas impelem a ultrapassá-lo permanecendo cheios de esperança.

6. Estender a mão é um sinal: um sinal que apela imediatamente à proximidade, à solidariedade, ao amor. Nestes meses, em que o mundo inteiro foi dominado por um vírus que trouxe dor e morte, desconforto e perplexidade, pudemos ver tantas mãos estendidas! A mão estendida do médico que se preocupa de cada paciente, procurando encontrar o remédio certo. A mão estendida da enfermeira e do enfermeiro que permanece, muito para além dos seus horários de trabalho, a cuidar dos doentes. A mão estendida de quem trabalha na administração e providencia os meios para salvar o maior número possível de vidas. A mão estendida do farmacêutico exposto a inúmeros pedidos num arriscado contacto com as pessoas. A mão estendida do sacerdote que, com o coração partido, continua a abençoar. A mão estendida do voluntário que socorre quem mora na rua e a quantos, embora possuindo um teto, não têm nada para comer. A mão estendida de homens e mulheres que trabalham para prestar serviços essenciais e segurança. E poderíamos enumerar ainda outras mãos estendidas, até compor uma ladainha de obras de bem. Todas estas mãos desafiaram o contágio e o medo, a fim de dar apoio e consolação.

7. Esta pandemia chegou de improviso e apanhou-nos impreparados, deixando uma grande sensação de desorientamento e impotência. Mas, a mão estendida ao pobre não chegou de improviso. Antes, dá testemunho de como nos preparamos para reconhecer o pobre a fim de o apoiar no tempo da necessidade. Não nos improvisamos instrumentos de misericórdia. Requer-se um treino diário, que parte da consciência de quanto nós próprios, em primeiro lugar, precisamos duma mão estendida em nosso favor.

Este período que estamos a viver colocou em crise muitas certezas. Sentimo-nos mais pobres e mais vulneráveis, porque experimentamos a sensação da limitação e a restrição da liberdade. A perda do emprego, dos afetos mais queridos, como a falta das relações interpessoais habituais, abriu subitamente horizontes que já não estávamos acostumados a observar. As nossas riquezas espirituais e materiais foram postas em questão e descobrimo-nos amedrontados. Fechados no silêncio das nossas casas, descobrimos como é importante a simplicidade e o manter os olhos fixos no essencial. Amadureceu em nós a exigência duma nova fraternidade, capaz de ajuda recíproca e estima mútua. Este é um tempo favorável para «voltar a sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo (…). Vivemos já muito tempo na degradação moral, baldando-nos à ética, à bondade, à fé, à honestidade (…). Uma tal destruição de todo o fundamento da vida social acaba por colocar-nos uns contra os outros na defesa dos próprios interesses, provoca o despertar de novas formas de violência e crueldade e impede o desenvolvimento duma verdadeira cultura do cuidado do meio ambiente» (Francisco, Carta enc. Laudato si’, 229). Enfim, as graves crises económicas, financeiras e políticas não cessarão enquanto permitirmos que permaneça em letargo a responsabilidade que cada um deve sentir para com o próximo e toda a pessoa.

8. «Estende a mão ao pobre» é, pois, um convite à responsabilidade, sob forma de empenho direto, de quem se sente parte do mesmo destino. É um encorajamento a assumir os pesos dos mais vulneráveis, como recorda São Paulo: «Pelo amor, fazei-vos servos uns dos outros. É que toda a Lei se cumpre plenamente nesta única palavra: ama o teu próximo como a ti mesmo. (…) Carregai as cargas uns dos outros» (Gal 5, 13-14; 6, 2). O Apóstolo ensina que a liberdade que nos foi dada com a morte e ressurreição de Jesus Cristo é, para cada um de nós, uma responsabilidade para colocar-se ao serviço dos outros, sobretudo dos mais frágeis. Não se trata duma exortação facultativa, mas duma condição da autenticidade da fé que professamos.

E aqui volta o livro de Ben-Sirá em nossa ajuda: sugere ações concretas para apoiar os mais vulneráveis e usa também algumas imagens sugestivas. Primeiro, toma em consideração a debilidade de quantos estão tristes: «Não fujas dos que choram» (7, 34). O período da pandemia constrangeu-nos a um isolamento forçado, impedindo-nos até de poder consolar e estar junto de amigos e conhecidos atribulados com a perda dos seus entes queridos. E, depois, afirma o autor sagrado: «Não sejas preguiçoso em visitar um doente» (7, 35). Experimentamos a impossibilidade de estar junto de quem sofre e, ao mesmo tempo, tomamos consciência da fragilidade da nossa existência. Enfim, a Palavra de Deus nunca nos deixa tranquilos e continua a estimular-nos para o bem.

9. «Estende a mão ao pobre» faz ressaltar, por contraste, a atitude de quantos conservam as mãos nos bolsos e não se deixam comover pela pobreza, da qual frequentemente são cúmplices também eles. A indiferença e o cinismo são o seu alimento diário. Que diferença relativamente às mãos generosas que acima descrevemos! Com efeito, existem mãos estendidas para premer rapidamente o teclado dum computador e deslocar somas de dinheiro duma parte do mundo para outra, decretando a riqueza de restritas oligarquias e a miséria de multidões ou a falência de nações inteiras. Há mãos estendidas a acumular dinheiro com a venda de armas que outras mãos, incluindo mãos de crianças, utilizarão para semear morte e pobreza. Existem mãos estendidas que, na sombra, trocam doses de morte para se enriquecer e viver no luxo e num efémero desregramento. Existem mãos estendidas que às escondidas trocam favores ilegais para um lucro fácil e corruto. E há também mãos estendidas que, numa hipócrita respeitabilidade, estabelecem leis que eles mesmos não observam.

Neste cenário, «os excluídos continuam a esperar. Para se poder apoiar um estilo de vida que exclui os outros ou mesmo entusiasmar-se com este ideal egoísta, desenvolveu-se uma globalização da indiferença. Quase sem nos dar conta, tornamo-nos incapazes de nos compadecer ao ouvir os clamores alheios, já não choramos à vista do drama dos outros, nem nos interessamos por cuidar deles, como se tudo fosse uma responsabilidade de outrem, que não nos incumbe» (Francisco, Exort. ap Evangelii gaudium, 54). Não poderemos ser felizes enquanto estas mãos que semeiam morte não forem transformadas em instrumentos de justiça e paz para o mundo inteiro.

10. «Em todas as tuas obras, lembra-te do teu fim» (Sir 7, 36): tal é a frase com que Ben-Sirá conclui a sua reflexão. O texto presta-se a uma dupla interpretação. A primeira destaca que precisamos de ter sempre presente o fim da nossa existência. A lembrança do nosso destino comum pode ajudar a conduzir uma vida sob o signo da atenção a quem é mais pobre e não teve as mesmas possibilidades que nós. Mas existe também uma segunda interpretação, que evidencia principalmente a finalidade, o objetivo para o qual tende cada um. É a finalidade da nossa vida que exige um projeto a realizar e um caminho a percorrer sem se cansar. Pois bem! O objetivo de cada ação nossa só pode ser o amor: tal é o objetivo para onde caminhamos, e nada deve distrair-nos dele. Este amor é partilha, dedicação e serviço, mas começa pela descoberta de que primeiro fomos nós amados e despertados para o amor. Esta finalidade aparece no momento em que a criança se cruza com o sorriso da mãe, sentindo-se amada pelo próprio facto de existir. De igual modo um sorriso que partilhamos com o pobre é fonte de amor e permite viver na alegria. Possa então a mão estendida enriquecer-se sempre com o sorriso de quem não faz pesar a sua presença nem a ajuda que presta, mas alegra-se apenas em viver o estilo dos discípulos de Cristo.

Neste caminho de encontro diário com os pobres, acompanha-nos a Mãe de Deus que é, mais do que qualquer outra, a Mãe dos pobres. A Virgem Maria conhece de perto as dificuldades e os sofrimentos de quantos estão marginalizados, porque Ela mesma Se viu a dar à luz o Filho de Deus num estábulo. Devido à ameaça de Herodes, fugiu, juntamente com José, seu esposo, e o Menino Jesus, para outro país e, durante alguns anos, a Sagrada Família conheceu a condição de refugiados. Possa a oração à Mãe dos pobres acomunar estes seus filhos prediletos e quantos os servem em nome de Cristo. E a oração transforme a mão estendida num abraço de partilha e reconhecida fraternidade.

Roma, em São João de Latrão, na Memória litúrgica de Santo António, 13 de junho de 2020.

 

Francisco

Folha Paroquial nº 142 *Ano III* 18.10.2020 — DOMINGO XXIX DO TEMPO COMUM

Aclamai a glória e o poder do Senhor.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Mt 22, 15-21)
Naquele tempo, os fariseus reuniram-se para deliberar sobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse. Enviaram-Lhe alguns dos seus discípulos, juntamente com os herodianos, e disseram-Lhe: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem te deixares influenciar por ninguém, pois não fazes acepção de pessoas. Diz-nos o teu parecer: É lícito ou não pagar tributo a César?». Jesus, conhecendo a sua malícia, respondeu: «Porque Me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo». Eles apresentaram-Lhe um denário e Jesus perguntou: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Eles responderam: «De César». Disse-Lhes Jesus: «Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

JESUS CRISTO É O SENHOR

Esta afirmação do kerigma cristão, proclamado depois da ressurreição do Senhor, diz a identidade de Cristo e de como devemos relacionar-nos com Ele. Proclamar que Jesus Cristo “é o Senhor” reenvia-nos à afirmação da primeira leitura, «Eu sou o Senhor e mais ninguém», e tem consequências enormes na nossa maneira de viver: em primeiro lugar, é um antídoto contra todas as idolatrias deste mundo, de ontem e de hoje. Por isso, os primeiros cristãos, que proclamavam Jesus como “o Senhor”, não podiam dobrar o joelho diante do imperador romano nem de qualquer poder terrestre por maior que ele fosse. E morriam por causa disso. Nós só nos inclinamos e nos ajoelhamos diante de Deus: do Pai, do Filho e do Espírito Santo, em atitude de adoração como criaturas diante do criador. Quando nos ajoelhamos diante da imagem de um santo ou mesmo de Nossa Senhora, temos de ter o cuidado de fazer a diferença: aí é uma atitude de veneração, de respeito e de humildade mas não de adoração. Ajoelhamo-nos e prostramo-nos sim, diante da Eucaristia, do Santíssimo Sacramento, porque Ele « É o Senhor».

Jesus Cristo, pela sua morte e ressurreição, foi constituído Senhor dos vivos e dos mortos. Por isso é vã toda a tentativa dos senhores deste mundo, quando se sentem com poder, de se arrogarem em senhores da história como se tivessem na mão os destinos do mundo. Um hino cristão dos primeiros séculos diz: «Ele é a imagem de Deus invisível, o primogénito de toda a criatura. N’Ele foram criadas todas as coisas, no céu e na terra, visíveis e invisíveis (…) Ele é anterior a todas as coisas e por Ele tudo subsiste. (…) Aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude.» ( Col 1,12-20)

Dizer que Jesus é o Senhor, Adonai (hebraico), Kyrios(em grego), significa dizer que Ele é o criador e Aquele por quem tudo subsiste e sem Ele nada pode existir.

Mas Deus, que é grande e Senhor, criador de tudo e de todos e sem o qual nada existe, criou o mundo e todos os seres levado pelo do seu amor eterno. Ele fez-se humilde e abaixou-se à pequenez da sua criatura. Ele não nos quer dominar como os senhores deste mundo, mas quer libertar-nos de todas as dominações que nos escravizam. Quis criar-nos livres e autónomos, capazes até de nos voltarmos contra Ele e de usarmos o nosso livre arbítrio para o negarmos e usarmos as capacidades que Ele nos deu, para vivermos sem Ele. Ciro, rei pagão da Pérsia, que tinha invadido a Babilónia, libertou o povo de Israel cativo neste império e enviou-o para o seu país; e Isaías afirma que, embora tenha sido visivelmente Ciro quem fez aquilo, foi Deus, condutor da história, que conduziu Ciro àquela ação boa, pois tudo está nas mãos de Deus. Para que Israel fosse liberto, Deus deu a Ciro poder sobre as nações. Foi Ele quem o “tomou pela mão direita, para subjugar diante dele as nações e fazer cair as armas da cintura dos reis, para abrir as portas à sua frente, sem que nenhuma lhe seja fechada: «Por causa de Jacob, meu servo, e de Israel, meu eleito, Eu te chamei pelo teu nome e te dei um título glorioso, quando ainda não Me conhecias»”.

No Evangelho, Jesus diz que se respeite o senhorio de César pois também César está nas mãos de Deus, ainda que não o saiba. Mas só Deus é Senhor. É na sua mão que está o destino do mundo e da história.

Sobretudo desde a revolução francesa para cá, a humanidade tem tentado livrar-se de Deus como se Ele fosse aquele que nos impede de sermos livres – e tem sido uma autêntica cegueira. São Paulo chama a isso “a impiedade”, que é a raíz de todo o pecado, a recusa de reconhecer a Deus, de lhe dar glória ou, dito de outro modo, a recusa de Deus como criador de todas as coisas e a recusa de si mesmo enquanto criatura. Mas sem Deus, em quem tudo subsiste, o homem fica perdido e errante no nada infinito. É a queda eterna, a impiedade.

«Dar a César o que é de César» significa reconhecer a autonomia das realidades terrestres proclamada pelo Concílio Vaticano II. Significa aceitar a lei da incarnação e das mediações humanas. É aceitar o caminho que nos permite, num justo comportamento em relação a César, de poder dar a Deus o que é de Deus, quer dizer, a totalidade do homem. Isto é, o homem só pertence a Deus, pois Ele é o seu criador e Senhor; mas o seu serviço a Deus passa pela construção do mundo como cidadãos, cumprindo todas as leis estabelecidas, como aliás Jesus fez. Jesus deu a Deus tudo, mas obedeceu aos poderes instituídos em tudo o que não ia contra a vontade do Pai. Jesus não contesta o poder de César, cuja sorte, como a de Ciro, está nas mãos de Deus. Em conclusão, o cristão que adora a Deus como único Senhor e que só se ajoelha diante dele, deve ser também o primeiro na linha da frente na construção de um mundo mais justo, em obediência a todas as leis humanas que não estejam em contradição com a sua fé e sua adoração ao único Deus.”

Jornadas Nacionais de Catequistas – “CATEQUESE E FAMÍLIA”

Dos dias 23 a 25 de outubro 2020 irão decorrer por videoconferência as Jornadas Nacionais de Catequistas este ano dedicadas ao tema CATEQUESE E FAMÍLIA.

A inscrição poderá ser feira através do link: https://forms.gle/ySr1nSkymDijpovZ8

O endereço de entrada será enviado aos inscritos duas horas antes do início da Abertura, no dia 23 de outubro. Quanto ao horário proposto, foi adaptado às circunstâncias em que as Jornadas decorrerão, a partir da residência dos participantes, e à rotina familiar.

O 1º Almoço Take Away e a Conta da Construção

O almoço take away solidário rendeu 2450€: juntos vamos conseguindo!

Com esta receita, a conta da construção já conta com 334.500€ (já tínhamos passado largamente a fasquia dos 350.000, mas entretanto tivemos que pagar uma fatura ao gabinete de arquitetura).

As obras estarão para breve: já foram entregues os projetos da especialidade cuja aprovação pela CMC aguardamos e, muito em breve, estaremos em condições de começar a pedir orçamentos.