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Folha Paroquial nº 147 *Ano III* 22.11.2020 — JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

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“EVANGELHO (Mt 25, 31-46)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’. Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’. E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’. Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos. Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar’. Então também eles Lhe hão-de perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?’. E Ele lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer’. Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

É NECESSÁRIO QUE ELE REINE

Porque é que é necessário que Ele reine como nos diz a primeira leitura?
Porque a Sagrada Escritura e a experiência humana, ao longo dos séculos e, de modo particular, nos nossos dias, nos mostra que a humanidade não tem saída sem que Cristo reine no mundo. O primeiro capítulo da encíclica Fratelli Tutti, do papa Francisco, tem como título «as sombras de um mundo fechado». E o papa, que é um homem de fé e de esperança, não deixa de nos mostrar as sombras deste mundo que, tendo avançado tanto científica e tecnologicamente, deixa tantos para trás que são “descartados” e esquecidos socialmente. Chegou-se a pensar que, com o progresso económico e social e com políticas de justa distribuição das riquezas, chegaria um tempo novo onde as desigualdades seriam grandemente reduzidas e a extrema pobreza desapareceria. Devemos todos continuar a lutar pela paz e pela justiça, sem nunca desistir de um mundo mais justo e mais fraterno, mas a realidade mostra que os homens entregues a si mesmos acabam por pensar só em si. A Constituição pastoral Gaudium et Spes lembrava-nos, na década de sessenta, que “os desequilíbrios de que sofre o mundo atual estão ligados com aquele desequilíbrio fundamental que se radica no coração do homem. Porque, no íntimo do próprio homem, muitos elementos se combatem.(…) Sofre assim em si mesmo a divisão, da qual tantas e tão grandes discórdias se originam para a sociedade” (nº 10) e, mais à frente, no nº 37, afirma: “A Sagrada escritura, confirmada pela experiência dos séculos, ensina que o progresso humano, tão grande bem para o homem, traz consigo também uma grande tentação: perturbada a ordem de valores e misturado o bem com o mal, os homens e os grupos consideram apenas o que é seu, esquecendo o dos outros. Deixa assim o mundo de ser um lugar de verdadeira fraternidade, enquanto que o acrescido dos homens ameaça já destruir o próprio género humano”. E, nesta altura, ainda não estávamos tão mal como agora, quanto às ameaças climáticas e outras. E depois, a Constituição lembra que só em Cristo morto e ressuscitado o mundo tem saída e será purificado. Por isso, escolhi para título desta reflexão uma frase da segunda leitura de hoje: «É necessário que Ele reine», para que todo o mal, soberba, injustiça, sejam colocadas debaixo dos seus pés. E Cristo reina não pelo amor da força, mas pela força do amor e da misericórdia. Vejamos as leituras que a Igreja escolheu para este dia: na primeira leitura, Deus apresenta-se como o bom pastor que se compadece das suas ovelhas abandonadas e feridas e vai buscá-las com ternura para as tratar, fortalecer e alegrar. Este Rei é um servo que lava os pés, que perdoa, que sara os corações dilacerados, que dá a vida pelas suas ovelhas. Ele conquista-as pela bondade e pela misericórdia e não pela violência e pela força. No Evangelho, é-nos dito que Jesus, o Rei universal, iluminará com a sua luz toda a nossa vida. Quando chegarmos junto d’Ele, “à sua Luz, nós veremos a luz”. Não precisaremos de palavras, nem ninguém nos julgará, senão nós mesmos, quando nos vermos inundados pela luz do amor eterno. Se vivemos no amor e na compaixão, essa luz far-nos-á sentir bem, acolhidos, como quem se sente em casa. «Vinde, benditos de meu Pai, para o reino que vos está preparado». Mas se, à luz do amor, só vemos em nós as trevas do encerramento no egoísmo e no desprezo pelos outros, dar-nos-emos conta de que «Ele teve fome e não lhe demos de comer, esteve sozinho e não nos importámos, esteve doente e na prisão e fechámos o coração». E então, diante do amor, a nossa dor de não termos amado será insuportável. Por isso, enquanto é tempo, convertamo-nos todos ao amor. É necessário que Cristo reine no nosso coração para que reine no mundo, e este seja transformado em reino de Deus onde habita a justiça e a fraternidade. “Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai, depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder”. Diz-nos ainda a Constituição citada: «Constituído Senhor pela sua ressurreição, Cristo, a quem foi dado todo o poder no céu e na terra, atua já pela força do seu Espírito no coração dos homens; não suscita neles apenas o desejo da vida futura, mas, por isso mesmo, anima, purifica e fortalece também aquelas generosas aspirações que levam a humanidade a tentar tornar a vida mais humana e a submeter para esse fim toda a terra.» Esta é a nossa missão de súbitos deste Rei do amor. Que Ele reine em nós, que nós cristãos sejamos construtores da esperança de um mundo novo, que trabalhemos mais pela nossa conversão interior e pela conversão das estruturas de pecado que bloqueiam a fraternidade entre os homens tornando-nos num mundo egoísta. Esta pandemia veio mostrar-nos à saciedade que estamos todos interdependentes, para o bem e para o mal, e que não podemos viver como queremos só pensando em nós, sob pena de prejudicarmos o conjunto e espalhar o vírus do nosso pecado contaminando todos os outros. Celebrar Cristo-Rei, leva-nos a deixar-nos conduzir pela Esperança que vence todo o derrotismo. Mas, a Esperança não é passiva, pelo contrário, é uma força poderosa que nos leva a agir, guiados pelo Espírito de Cristo e pelo seu mandamento do amor para insuflarmos no mundo a semente do reino, “reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz.” Quase me apetece dizer: Cristãos de todo o mundo e, todos vós, homens de boa vontade, uni-vos para serdes força transformadora de um mundo novo. Precisamos de refletir mais sobre a inserção dos cristãos no meio do mundo e lembrar aos leigos que a sua principal vocação são as realidades terrestres onde devem estar para darem o seu contributo para um mundo mais justo para que Cristo seja Rei e Senhor da história.

Jesus Cristo, Rei e Senhor Universal,
Reina nos nossos corações! Enche-nos do teu Espírito
E conduz os nossos passos pelos caminhos do amor fraterno.
Dá-nos o teu olhar de amor e compaixão sobre os irmãos e sobre o mundo.
Dá-nos a tua força para sermos construtores da história.
Não permitas que vivamos uma fé desencarnada e angélica,
Mas conduz-nos pelos caminhos do compromisso com a humanidade.
Que a Ceia da comunhão fraterna, que celebramos em cada Domingo,
alargue o nosso coração,
para amarmos o mundo e lutarmos pela justiça e pela paz.
Dá-nos um coração cheio de bondade
que se torne vulnerável diante dos pobres,
dos doentes e de todos os esquecidos.
Graças pelos homens e mulheres que “primeiraram”
Seguindo os teus passos.
Penso em Andreia Ricardi, da comunidade de Santo Egídio!
Hoje são chamados a mediar conflitos internacionais
Mas começaram pela visita aos pobres de Roma.
Eu sei, Senhor: Nós podíamos fazer mais e melhor
para que o teu reino crescesse no mundo!
Perdoa a nossa negligência, mas não desistas de nos enviar
o teu Espírito como um vento impetuoso
que nos empurre para as periferias do mundo.
Glória a ti, Cristo, Rei e Senhor do Universo
Amen

 

Vigília da Vida Nascente & Benção das Grávidas – Nov 2020

A Vigília da Vida Nascente, no início do Tempo de Advento, é uma oportunidade para celebrar o grande dom da vida de cada nascimento – a começar pelo Menino Jesus. Por isso, na celebração teremos a Bênção das Mães Grávidas.
Trata-se de uma iniciativa dinamizada pelo Secretariado Diocesano da Pastoral da Família, com a presença do Senhor Bispo D. Virgílio Antunes.
Uma vigília online (presencial apenas para quem estiver por perto e quiser) para mães grávidas no contexto do advento.
Será no dia 28 de novembro, às 21:30, presidida pelo Bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes.
 
Podes participar e divulgar!

Folha Paroquial 146 *Ano III* 15.11.2020 — DOMINGO XXXIII DO TEMPO COMUM

Ditoso o que segue o caminho do Senhor.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Mt 25, 14-30)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola:«Um homem, ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um, conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu. O que tinha recebido cinco talentos fê-los render e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Mas o que recebera um só talento foi escavar na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Muito tempo depois, chegou o senhor daqueles servos e foi ajustar contas com eles.   que recebera cinco talentos aproximou-se e apresentou outros cinco, dizendo: ‘Senhor, confiaste-me cinco talentos: aqui estão outros cinco que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem,  ervo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera dois talentos e disse: ‘Senhor, confiaste-me dois talentos: aqui estão outros dois que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera um só talento e disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste. Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra. Aqui tens o que te pertence’. O senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde nada lancei; devias, portanto, depositar no banco o meu dinheiro e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu. Tirai-lhe então o talento e dai-o àquele que tem dez. Porque, a todo aquele que tem, dar-se-á mais e terá em abundância; mas, àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o às trevas exteriores. Aí haverá choro e ranger de dentes’».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

TIVE MEDO E ESCONDI O TEU TALENTO NA TERRA 

Andaram de volta do pai a pedir-lhe dinheiro mas não podiam dizer para o que era. O pai confiou neles mas também tinha lá um dedo que adivinhava o que andavam a tramar. E sabia que era coisa que valia a pena. Compraram o que precisaram e pintaram, recortaram, fizeram arranjos e mais arranjos. No dia em que a mãe fez anos, não tinham comprado nenhuma prenda nas lojas, mas tinham posto todos os seus talentos a render com criatividade e ofereceram à mãe a prenda mais bela do mundo. A mãe estava desenhada de muitas formas e sobretudo em muitas situações de que eles se lembravam. A fazer as refeições na cozinha, a pôr a mesa, a ir às compras, a deitar os filhos, a dar-lhes um beijo de boas noites e várias outras. Em cada foto ia uma frase encantadora e de imensa gratidão por ela ser o que era; simplesmente uma mãe genial. E havia poesia de iniciantes sobre a melhor mãe do mundo.

Sei que foi o melhor aniversário desta mãe apesar das muitas lágrimas de sentida alegria. Não sei quais foram as palavras que os filhos lhe disseram quando lhe entregaram a prenda mas podiam ser mais ou menos a dos primeiros dois servos do evangelho de hoje: « Recebemos de ti tanto para nos fazer felizes que quisemos também fazer apelo aos nossos dons para te dizer o nosso amor e gratidão. Recebe a expressão do nosso reconhecimento. E se transportássemos este caso para o que nos diz o Senhor nesta parábola? Nós só colocamos alegre e ousadamente os nossos dons a render se amamos Aquele que distribuiu por nós os seus bens e partiu, prometendo que um dia voltaria.

Percebemos que a parábola faz alusão à segunda vinda do Senhor que é uma certeza da fé, como confessamos no credo: «De novo há-de vir no esplendor da sua glória». Este tempo de «ausência» é só aparente, pois Ele disse: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos». Quem ama o Senhor, vive na ansiosa expectativa do encontro amoroso com Ele e faz do tempo da espera, não algo estático, cristalizado e imutável, mas algo dinâmico onde todos os dons que Ele nos deu são postos a render para que, quando Ele vier, tenhamos a alegria de lhe apresentar o fruto do bom uso que fizemos de tudo o que Ele, com tanta prodigalidade, nos confiou.

Na Liturgia da Igreja rezamos: «Dos próprios bens que nos destes oferecemos à vossa divina majestade o sacrifício perfeito, santo e imaculado.» Nada temos que não tenhamos recebido como dom. Tudo nos vem do Senhor. Por isso, quem ama a Deus, põe toda a alegria em servi-lo com todos os dons que Ele lhe dá, e esforça-se por ser criativo, dinâmico e não acomodado.

O terceiro servo da parábola não tinha uma relação de amor com o Mestre, mas de medo. Que diferença em relação aos outros! “Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste. Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra. Aqui tens o que te pertence.” É uma resposta que deve ter gerado um calafrio no coração do Mestre. Medo? Medo de mim que te dei tudo e a quem confiei uma parte dos meus bens? O que está por detrás desta atitude é uma imagem falsa que o servo tem acerca do Senhor que lhe confiou os talentos. Imagina-o alguém severo, incompreensivo, injusto e avarento, que não admite erros e incapaz de dar uma segunda oportunidade. E é porque o imagina assim que fica paralisado pelo medo de não errar e não arrisca fazer nada com o seu talento. Talvez valha a pena neste momento perguntar-nos: Como é a minha relação com o Senhor que me confiou tantos bens: É de confiança e de amor ou de medo? Quando a fé cristã se vive, não a partir do amor confiante e até entusiasmado, mas do medo, torna-se uma fé que não aquece a vida, uma fé fria centrada nos mínimos, sem criatividade e ousadia. «Eu cá tenho a minha fé”, dizem alguns, mas é algo que não motiva o próprio e não contagia ninguém. Quem tem esta fé baseada no medo, ou pelo menos fé sem amor, vive centrado no cumprimento dos preceitos, esquece o evangelho para conhecer sobretudo as regras que deve cumprir. Quando lhe falam de ser evangelizador ou de pôr os seus dons a render ao serviço dos outros na comunidade, ele acha isso ridículo. Ele já cumpre o que está mandado.

Ora o Pai, tal como no-lo revela Jesus, é um Pai cujo amor tem por desígnio de nos convidar a partilhar a alegria do seu reino. Ele convida-nos a pôr em prática toda a nossa energia para pôr a render com toda a confiança, e em plena liberdade, os dons que nos confiou. Que alegria Ele tem em poder dizer-nos: «Muito bem, servo bom e fiel, vem tomar parte na alegria do teu Senhor.»

Caros cristãos que amais o Senhor e não vos poupais no serviço da Sua Igreja e do Seu reino dando tempo, dinheiro, aptidões e tudo o mais para fazer crescer o seu reino, tudo vale a pena para poderdes ouvir o Senhor dizer-vos: “Muito bem, servo bom e fiel, vem tomar parte na alegria do teu Senhor.”

Folha Paroquial nº 145 *Ano III* 08.11.2020 — DOMINGO XXXII DO TEMPO COMUM

A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.

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“EVANGELHO (Mt 25, 1-13)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a dez virgens, que, tomando as suas lâmpadas, foram ao encontro do esposo. Cinco eram insensatas e cinco eram prudentes. As insensatas, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo, enquanto as prudentes, com as lâmpadas, levaram azeite nas almotolias. Como o esposo se demorava, começaram todas a dormitar e adormeceram. No meio da noite ouviu-se um brado: ‘Aí vem o esposo; ide ao seu encontro’. Então, as virgens levantaram-se todas e começaram a preparar as lâmpadas. As insensatas disseram às prudentes: ‘Dai-nos do vosso azeite, que as nossas lâmpadas estão a apagar-se’. Mas as prudentes responderam: ‘Talvez não chegue para nós e para vós. Ide antes comprá-lo aos vendedores’. Mas, enquanto foram comprá-lo, chegou o esposo. As que estavam preparadas entraram com ele para o banquete nupcial; e a porta fechou-se. Mais tarde, chegaram também as outras virgens e disseram: ‘Senhor, senhor, abre-nos a porta’. Mas ele respondeu: ‘Em verdade vos digo: Não vos conheço’. Portanto, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

DO ENTUSIASMO DO INÍCIO À PERSEVERANÇA

1.Conheci alguém, há mais de 30 anos atrás, que fez uma experiência de Deus muito sentida, no Renovamento Carismático. Muita coisa mudou na sua vida, e algumas nada fáceis de mudar, por exigirem muita coragem e desprendimento. Foi uma verdadeira conversão que se manifestou não tanto pelas emoções, que também foram grandes, mas sobretudo pelo estilo de vida que mudou admiravelmente em conformidade com a vontade d’Aquele que Ele tinha encontrado e lhe tinha dado tanta alegria. Pôs muita coisa em ordem na sua vida: no plano financeiro, moral e relacional. Deu um bom testemunho a todos os que o conheciam, pois percebiam que uma mudança autêntica se tinha produzido nele. Porém, passados uns anos, vim a saber que já nem à missa ia e que, embora não tivesse voltado ao estilo de vida anterior, tinha perdido todo o entusiasmo, como se nada tivesse acontecido na sua vida. Encontrando-o um dia, em Lisboa, fomos tomar um café e conversámos sobre isso. Disse-me tristemente que agora já não praticava, que tinha deixado de rezar, mas sentia saudades da alegria e do entusiasmo daqueles tempos em que parecia ter conhecido a Deus. Parecia? – perguntei eu. – Sim, comecei a duvidar de tudo -disse ele – Quando aconteceu a minha conversão tudo era fácil. Deus parecia que vivia em mim e me dava força e coragem. Tudo valia a pena por causa D’Ele. Vivia numa grande alegria e sentia-me capaz de mudar este mundo e o outro, pela certeza de que Ele estava comigo. Mas pouco a pouco, parece que fiquei sozinho. Deixei de o sentir presente na minha vida. Comecei a pôr em causa escolhas que tinha feito por causa da fé e mesmo a duvidar se a minha experiência tinha sido autêntica. As dúvidas vieram umas atrás das outras e comecei a arrefecer. Deixei de ir ao grupo de oração, deixei de rezar e, depois, de ir à missa. Enquanto o ouvia partilhar tristemente a sua história, pensei quanto lhe faltou alguém que o ajudasse a fazer a mudança dos primeiros tempos para o tempo seguinte, o da perseverança na fé.

2.Esta história real é uma introdução para comentar o evangelho de hoje e para pedirmos a sabedoria de Deus para nos guiarmos bem na vida.

A primeira geração cristã viveu convencida de que Jesus ressuscitado voltaria de novo e brevemente. Nessa altura estavam todos com as lâmpadas acesas. Mas isso não aconteceu, Jesus tardava em chegar. Pouco a pouco, os seguidores de Jesus tiveram que se preparar para uma longa espera. E alguns começaram a dormitar e deixaram apagar as suas candeias. Mas como manter vivo o entusiasmo e o espírito dos inícios? Como alimentar a fé sem deixar que se apague? É por isso que os evangelistas não se esqueceram de sublinhar as palavras de Jesus: “É pela vossa perseverança que salvareis as vossas almas.” Ou, segundo outro evangelista, “quem perseverar até ao fim será salvo.”

Estas questões colocam-se sempre na Igreja quando um carismático fundador de um movimento ou de uma ordem religiosa morre. Enquanto ele está vivo, o Movimento ou a Ordem religiosa vive do carisma do fundador, e quase nem precisa de estatutos. É o tempo do crescimento e do entusiasmo. Mas como manter aquela chama viva, aquele carisma, agora que o fundador já não está presente com a sua autoridade? É sempre um tempo difícil, o desta mudança. Mas é pela perseverança dos seus seguidores que o carisma vai dando o seu fruto na Igreja e no mundo. O Evangelho de hoje tem a ver com esta perseverança até ao fim, e de estar vigilante para não nos deixarmos adormecer e apagar a nossa chama.

3. O que pode querer dizer o azeite que as sensatas levam consigo? Jesus disse um dia: «Eu vim trazer o fogo à terra e quanto desejo que ele seja ateado!» Este fogo nasce do contacto vivo com Ele. Quanto mais nos distanciamos da sua pessoa, mais o azeite vai faltando e a chama se vai apagando.

Pretender conservar uma fé gasta sem a reavivar com o fogo da amizade e da proximidade com Jesus, é ter uma fé cristalizada do passado que não transforma a vida e não serve para nada. Passar de uma fé entusiasmada dos inícios para uma fé perseverante no amor sem se deixar cristalizar, é trazer sempre consigo o azeite que renova continuamente a chama. O azeite pode ser a Eucaristia dominical vivida, não como um preceito que temos de cumprir, mas como um banquete nupcial para o qual nos preparamos. Pode ser a Palavra de Deus escutada e meditada com amor, pois quando o fazemos abrimo-nos à presença d’Aquele que nos fala. É a oração quotidiana, e é todo o serviço que fazemos na paróquia ou noutros lados, por causa d’Ele. Permitam-me que faça uma interpretação possível desta parábola: As insensatas são aquelas que tendo tido já as candeias bem acesas com o fogo do amor de Deus se descuidaram, não foram perseverantes e, pouco a pouco, esfriaram a sua fé e o seu entusiasmo. O que precisariam? De um acompanhamento fraterno para se darem conta, pelo confronto com o testemunho dos outros, que precisam de mais azeite. Por isso é tão importante que uma pessoa que faz uma experiência de fé e de conversão não fique sozinha, mas faça parte de um pequeno grupo onde se reza e se partilha a fé. As sensatas foi isso que fizeram. Levaram consigo o azeite, quer dizer, souberam agarrar nos meios que lhes permitiu manter viva a chama da fé para que não se apagasse nem cristalizasse.

Muitas vezes temos muito trabalho em preparar adultos para o batismo, jovens para o crisma, pessoas para fazerem o percurso Alpha, mas depois falta-nos o mesmo cuidado no acompanhamento dessas pessoas até à sua plena integração na comunidade cristã ou nalgum grupo eclesial.

Estamos na semana dos Seminários. Rezemos pela perseverança dos sacerdotes para que mantenham sempre viva a chama da amizade com Jesus e não se deixem cristalizar num modo de vida sem chama e sem ardor.”

Ofertório para o Seminário – 8 de Nov 2020

No próximo Domingo, dia 8, o ofertório é para as despesas com os nossos seminaristas. Este ano serão precisos 60.000€.

Se puder dar uma quantia mais generosa, poderá fazê-lo pelo IBAN PT 50 0035 0255 0005 9801 132 31

A Semana dos Seminários de 2020 tem como fonte de inspiração a palavra do Evangelho: «Jesus chamou os que queria e foram ter com Ele». Ela apresenta de modo sintético os elementos estruturantes da vocação: o chamamento do Senhor e a resposta dos discípulos, confirmada pela decisão de ir ter com Ele. A esta luz evangélica se entende melhor a natureza e a missão dos seminários como comunidades que congregam aqueles que o Senhor chamou à vocação sacerdotal e se dispuseram a ir ter com o Mestre para aprender com Ele e configurar a vida com a Sua, preparando-se assim para serem discípulos missionários. (…) O chamamento que o Senhor fez então, continua a fazê-lo nos nossos dias. Trata-se de uma escolha livre, uma eleição surpreendente, puro dom da graça divina e não resultado dos méritos ou propósitos humanos. A vocação sacerdotal é, de facto, da ordem do mistério, do mistério da liberdade divina que se entrelaça com a liberdade do homem. Àqueles que primeiro foram chamados, Jesus reafirmará mais tarde: «Não fostes vós que me escolhestes, fui Eu que vos escolhi a vós» (Jo.15,16), conferindo-lhes até a dignidade de amigos. O que Ele tem a oferecer aos seus escolhidos é uma história de amizade profunda, uma história de vida plena.

 

Folha Paroquial nº 144 *Ano III* 01.11.2020 — SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS

Esta é a geração dos que procuram o Senhor.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Mt 5, 1-12)
Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

OH DITOSA IGREJA NOSSA MÃE

Este é um dos belos dias de festa que a Igreja nossa mãe nos proporciona viver. É um dia cheio de alegria, de júbilo e de festa emotiva. Hoje lembramo-nos da totalidade da Igreja que somos; a Igreja que ainda peregrina na terra, na esperança de chegar à pátria celeste, e a Igreja que já lá chegou e agora canta sem cessar os louvores eternos de Deus. Eles são os bem-aventurados que “se alegram e exultam, pois é grande nos céus a sua recompensa.” Hoje, convido-vos a aprofundar este mistério com as orações do missal. Ele começa com a antífona de entrada que, muitas vezes, se torna o cântico de entrada da missa: Exultemos de alegria no Senhor, celebrando este dia de festa em honra de todos os Santos. Nesta solenidade alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

Depois do canto do hino do “Glória”, segue-se a oração de coleta do Presidente da celebração que recolhe a oração íntima e silenciosa dos fiéis, depois de os ter convidado à oração dizendo: Oremos…

Deus eterno e omnipotente, que nos concedeis a graça de honrar numa única solenidade os méritos de todos os santos, dignai-vos derramar sobre nós, em atenção a tão numerosos intercessores, a desejada abundância da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo….

Quase todos os dias a Igreja honra um ou mais santos, mas hoje é uma festa da santidade na igreja, de todos os seus ilustres conhecidos e desconhecidos, essa multidão imensa que ninguém pode contar e que estão vestidos com túnicas brancas e de palmas vitoriosas na mão, aclamando dia e noite o Cordeiro e seguindo-o para onde quer que Ele vá.

As 3 leituras vão-nos dando conta do mistério: «Esses que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e de onde vieram?». Eu respondi-lhe: «Meu Senhor, vós é que o sabeis». Ele disse-me: «São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro». Por isso agora cantam sem cessar diante do trono de Deus e do Cordeiro: «A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro».

No salmo responsorial, respondemos à Palavra escutada com júbilo e emoção: «Esta é a geração dos que procuram o Senhor».
A segunda leitura convida-nos a contemplar o amor do Pai que quis que fôssemos seus filhos no Filho. E S. João afirma com convicção: “E somo-lo de facto”. Mas depois, acrescenta: É certo que ainda não vimos tudo o que significa o facto de Deus querer que vivamos esta maravilhosa relação filial com Ele. Mas, quando virmos tudo claramente, isto é, quando chegarmos ao céu, então ficaremos extasiados porque veremos a Deus, face a face, e à luz d’Ele, ver-nos-emos a nós mesmos e àquilo que Ele quis para nós e, por isso, resta-nos a adoração, a ação de graças, o louvor eterno.

O Evangelho apresenta-nos o caminho da santidade, ou bem-aventurança, que é a mesma coisa. Esse caminho está resumido logo na primeira bem-aventurança: Bem-aventurados os que põem a sua alegria, a sua confiança e a sua esperança só em Deus; Poderão passar por muitas dificuldades, mas Deus não lhes faltará e o reino de Deus pertence-lhes. Porém, é no prefácio, esse louvor que antecede a aclamação do Santo, que a Igreja, através do sacerdote, dá largas à sua alegria e ao seu júbilo agradecido cantando-Lhe entusiasmadamente:
Senhor, Pai santo, é nosso dever dar-Vos graças, sempre e em toda a parte: Hoje nos dais a alegria de celebrar a cidade santa, a nossa mãe, a Jerusalém celeste, onde a assembleia dos Santos, nossos irmãos, glorificam eternamente o vosso nome. Peregrinos dessa cidade santa, para ela caminhamos na fé e na alegria, ao vermos glorificados os ilustres filhos da Igreja, que nos destes como exemplo e auxílio para a nossa fragilidade.

Por isso, com todos os Anjos e Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:
Logo que o presidente termina, a assembleia irrompe na aclamação do “Santo”, afirmando que só Ele é Santo, três vezes Santo, e que, se alguém, ou alguma coisa, pode ser chamada santa, para além de Deus, é porque Lhe pertence e irradia a Sua santidade. Por isso o sacerdote continua rezando: “Senhor vós sois verdadeiramente santo, sois a fonte de toda a Santidade.

E a celebração eucarística termina, com chave de ouro, através da oração conclusiva da missa. Depois da comunhão e do silêncio sagrado que se lhe segue, ou do cântico depois da Comunhão, o sacerdote, antes de terminar a missa, reza a oração que a conclui e que é uma ação de graças pelo mistério celebrado. Quando somos convidados por um amigo para uma festa de banquete em sua casa, há as despedidas no final, e nós agradecemos ao dono da casa o convite e a honra que sentimos em ter estado em tão bela festa e quanto ela nos fez bem. É isso que o sacerdote faz, em nome de toda a assembleia, ao grande Senhor que nos convidou para o banquete. No dia de todos os santos, dizemos-Lhe no final: «Nós vos adoramos, Senhor nosso Deus, única fonte de santidade, admirável em todos os santos, e confiadamente Vos pedimos a graça de chegarmos também nós à plenitude do vosso amor e passarmos desta mesa de peregrinos ao banquete da pátria celeste. Por nosso Senhor…»

E é a razão porque celebramos esta festa. Para avivarmos em nós o desejo e o ardor de passarmos desta mesa de peregrinos ao banquete da pátria celeste, fazendo o caminho da fé.

Como é bela a celebração da Eucaristia quando a celebramos com fé! Ela transforma-nos, cura-nos, encoraja-nos, reaviva a nossa esperança, ergue o nosso olhar do chão quotidiano para os altos montes donde nos vem o auxílio.”

«Jesus chamou os que queria e foram ter com Ele» – Semana dos Seminários 2020

A Semana dos Seminários de 2020 tem como fonte de inspiração a palavra do Evangelho: «Jesus chamou os que queria e foram ter com Ele» (Mc. 3,13). Ela apresenta de modo sintético os elementos estruturantes da vocação: o chamamento do Senhor e a resposta dos discípulos, confirmada pela decisão de ir ter com Ele. A esta luz evangélica se entende melhor a natureza e a missão dos seminários como comunidades que congregam aqueles que o Senhor chamou à vocação sacerdotal e se dispuseram a ir ter com o Mestre para aprender com Ele e configurar a vida com a Sua, preparando-se assim para serem discípulos missionários. Neste sentido se pronunciou a XV Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos de 2018, reafirmando que «os seminários e casas de formação são lugares de grande importância onde os jovens, chamados ao sacerdócio e à vida consagrada, aprofundam a sua escolha vocacional e a amadurecem no seguimento» (Documento Final, nº20).

A citada frase do Evangelho aparece num contexto em que as palavras e gestos de Jesus de Nazaré enchiam de espanto as multidões e a sua pessoa suscitava grande fascínio naqueles que O acompanhavam por toda a Galileia. Volvidos vinte séculos, o referido Sínodo assinalou que «muitos jovens são fascinados pela figura de Jesus. A sua vida parece-lhes boa e bela, porque pobre e simples, feita de amizades sinceras e profundas, gasta generosamente com os irmãos, nunca fechada para ninguém, mas sempre disponível ao dom. A vida de Jesus permanece também hoje profundamente atraente e inspiradora; é para todos os jovens uma provocação que interpela» (Documento Final, nº 82).

O  chamamento que o Senhor fez então, continua a fazê-lo nos nossos dias. Trata-se de uma escolha livre, uma eleição surpreendente, puro dom da graça divina e não resultado dos méritos ou propósitos humanos. A vocação sacerdotal é, de facto, da ordem do mistério, do mistério da liberdade divina que se entrelaça com a liberdade do homem. Àqueles que primeiro foram chamados, Jesus reafirmará mais tarde: «Não fostes vós que me escolhestes, fui Eu que vos escolhi a vós» (Jo.15,16), conferindo-lhes até a dignidade de amigos. O que Ele tem a oferecer aos seus escolhidos é uma história de amizade profunda, uma história de vida plena.

A resposta ao chamamento de Jesus suscitou nos primeiros discípulos a decisão de ir ter com Ele. Aproximar-se do Senhor, reunir-se com todos os que querem caminhar com Ele, é o desígnio de quem se dispõe a ser discípulo e sacerdote em nome de Cristo. A opção pela vida sacerdotal com o pedido de ingresso ao seminário, exige hoje, porventura mais do que noutras épocas, uma fé corajosa. Numa cultura que promove o provisório e induz ao experimentalismo, uma opção de tal radicalidade supõe uma fé capaz de arriscar, uma fé consciente de que é preciso deixar algumas pedras preciosas porque se encontrou o verdadeiro tesouro.

Desejo que esta Semana dos Seminários sirva para despertar em todos nós três atitudes: gratidão, compromisso e esperança.

Damos graças a Deus porque continua a chamar alguns para serem pastores do seu povo e por todos os jovens e adultos que souberam escutar e responder com generosidade, fazendo parte das comunidades dos vários seminários do país. Gratidão é devida também às equipas formadoras dos seminários e a todos os professores e colaboradores que se empenham na exigente tarefa de formar pastores.  Sem esquecer o justo reconhecimento aos seminários pelo seu incomparável papel histórico, desde os tempos de S.Bartolomeu dos Mártires, na renovação da Igreja e na formação humana e cristã de tantas gerações de jovens de todo o país, incluindo os que não foram ordenados.

O compromisso de todos para com o seminário é indispensável para que ele cumpra a sua missão. Essa responsabilidade é pedida, antes de mais, ao clero chamado a assumir o seu papel no processo formativo e a manifestar solicitude, comunhão e proximidade para com o seminário. Também às famílias e comunidades cristãs se pede que tenham consciência da importância do seu apoio e acompanhamento aos seminaristas. E os cristãos não esqueçam que o seu compromisso para com os seminários se pode manifestar de tantas formas: na oração, na ajuda material e outros expressões de interesse e preocupação.

Esperança é o sentimento que pode crescer em nós com a celebração desta semana. Ela funda-se na convicção de que Deus não abandona o seu povo mas, pela ação do Espírito, renova sempre a vida da Igreja e lhe abre caminhos novos. Depositamos também muita esperança nos seminaristas que estão a fazer o seu percurso formativo para serem, na altura própria, os pastores que a Igreja precisa, segundo o modelo de Cristo, Bom Pastor. E esperamos que os jovens e adultos a quem o Senhor continua a chamar não tenham medo e saibam responder com generosidade e alegria.

A Família na Bíblia – D. António Couto

Conferência proferia por D. António Couto no âmbito das Jornadas Nacionais de Catequistas – “CATEQUESE E FAMÍLIA” – que decorreram de 23 a 25 de outubro 2020 por videoconferência nos canais da Educris.

Folha Paroquial nº 143 *Ano III* 25.10.2020 — DOMINGO XXX DO TEMPO COMUM

Eu Vos amo, Senhor: sois a minha força.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Mt 22, 34-40)
Naquele tempo, os fariseus, ouvindo dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus, reuniram-se em grupo, e um doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar: «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?». Jesus respondeu: «‘Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo, porém, é semelhante a este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

O MANDAMENTO DO AMOR A DEUS E AO PRÓXIMO

Há uma frase bíblica que ao mesmo tempo que me dá alegria me levanta questões. É a seguinte: “Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” Paulo diz que a esperança cristã é fundada em algo que já existe em nós. Assim como a esperança da mulher grávida que traz um filho no ventre não é uma esperança sem fundamento, assim a esperança cristã tem um poderoso fundamento: o amor de Deus já derramado nos nossos corações, pelo Espírito Santo. O amor de Deus infinito e eterno manifestou-se de modo supremo na morte de cruz do Filho unigénito e a sua ressurreição criou uma explosão do amor trinitário em nós. As barreiras que nos separavam de Deus foram aniquiladas com a cruz do Senhor e nós, agora, podemos experimentar todo o amor que Deus é, através do Espírito Santo. Jesus já o tinha dito: “Aquele que me ama será amado por meu Pai, nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada.” Então, esse amor eterno, infinito, inefável, que criou o mundo, foi-nos dado e vive em nós. Nós já não apenas sabemos que Deus nos ama, como a Bíblia no-lo repete tantas vezes e que constitui o primeiro anúncio da Igreja: “Deus ama-te, Deus ama-nos, Somos amados por Deus”; mas, mais do que isso, experimentamos em nós o seu amor, pois foi derramado abundantemente em nossos corações. Isso é para mim fonte de admiração e de gratidão para com Deus, mas levanta-me também algumas perguntas: Porque é que então, nós, cristãos, não amamos mais? Porque é que tantas vezes tenho de pedir a Deus a graça de saber amar, de saber dar-me, de vencer o meu desejo de comodismo? Porque é que o amor a todos não é assim tão natural e temos ainda tendência para nos fecharmos no nosso egoísmo? Para que precisamos nós, depois de Cristo, no Novo Testamento, de um mandamento que nos mande amar a Deus e ao próximo? Não devia ser natural em nós? Às vezes, chegamos a sentir mesmo por algumas pessoas aquilo que um cristão nunca devia sentir: sentimentos negativos. E isso causa-nos tristeza, pois desejamos amar. O papa Bento XVI, na bela e memorável encíclica que vale a pena ler muitas vezes, «Deus caritas est», diz : “Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos, agora o amor já não é apenas um mandamento, mas é a resposta ao dom com que Deus vem ao nosso encontro” (nº 1 da DCE). Compreendemos estas palavras, mas sentimos que muitas vezes a nossa resposta a este dom é muito fraca quando amamos pouco os irmãos à maneira de Deus. E o papa acrescenta como, em Cristo, devemos amar o próximo: “Eu amo, em Deus e com Deus, a pessoa que não me agrada ou que nem conheço sequer. Isto só é possível realizar-se a partir do encontro íntimo com Deus, um encontro que se tornou comunhão de vontade, chegando mesmo a tocar o sentimento. Então aprendo a ver aquela pessoa já não somente com os meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspetiva de Jesus Cristo.” Ah, aqui já há uma resposta mais concreta e tranquilizadora à minha (nossa?) questão. E depois Bento XVI acrescenta: “Se na minha vida falta totalmente o contacto com Deus, posso ver no outro sempre e apenas o outro e não consigo reconhecer nele a imagem divina. Mas, se na minha vida negligencio completamente a atenção ao outro, importando-me apenas com ser «piedoso» e cumprir os meus deveres religiosos, então definha também a relação com Deus. (…) Só a minha disponibilidade para ir ao encontro do próximo e demonstrar-lhe amor é que me torna sensível também diante de Deus.”

Em conclusão, o papa explica-nos que para amarmos os irmãos com o amor de Deus e à maneira de Deus, só é possível se vivermos em intimidade com Deus, deixando-nos conduzir pelo seu amor derramado nos nossos corações; mas, para isso, não nos podemos fechar numa religiosidade intimista e individualista mas numa comunhão amorosa com Deus aberta ao cumprimento da sua vontade e sempre questionando-nos se estamos a aderir à vontade de Deus. Porque estamos marcados pelos efeitos em nós do pecado original, o amor ao próximo, sobretudo àquele para quem não me sinto inclinado pelos laços de sangue ou de empatia, deve ser uma decisão amorosa e livre da nossa vontade. Eu tenho de decidir amar por um ato livre e não estar à espera que me venha a vontade de amar. Esta minha disponibilidade interior para ir ao encontro do próximo e demonstrar-lhe amor vai curando o meu coração das feridas do egoísmo e vai-o alargando a uma dimensão da caridade cada vez maior. Foi assim que começaram os santos, como Teresa de Calcutá. Um jornalista americano que um dia acompanhou Madre Teresa viu-a tratar uma pessoa com feridas em tão grande putrefação que exclamou alto: «Eu não fazia este trabalho por dinheiro nenhum do mundo». Madre Teresa ergue-se, olha para ele, e agarrando o crucifico pendurado no seu sari, exclama decididamente: “E eu também não, sr. Jornalista. Não fazia isto por dinheiro nenhum do mundo. Faço-o gratuitamente porque Este mo mandou e me dá forças e amor para o fazer.” O amor cristão vai muito para além de um humanismo. Como diz Bento XVI, “Se na minha vida falta totalmente o contacto com Deus, posso ver no outro sempre e apenas o outro e não consigo reconhecer nele a imagem divina”.

Às vezes, quando se fala de caridade na igreja, muitos pensam logo só, e apenas, naquelas formas tradicionais de ajuda aos pobres que não têm que comer e vivem em situações miseráveis. E assim, quando pelo desenvolvimento da sociedade já não se vêm muito ou são sempre os mesmos, já não precisamos de praticar a caridade. Mas o amor é para viver em todas as circunstâncias. Se quando temos um idoso em tempo de covid, na nossa família, a ficar isolado e com medo e não o visitamos nem lhe damos afeto, onde está a nossa caridade? Neste tempo de covid, pensemos mais nesta faixa de população que está a viver situações dramáticas de solidão. Inventemos formas de manifestar o nosso amor, pois o amor é criativo. E perguntemo-nos todos os dias, ao fim de cada dia: «Hoje pratiquei a caridade com alguém?» Interessei-me pelos outros, para além daqueles que tenho de cuidar pelos laços do sangue? E, no início do dia, que a nossa oração possa conter um pedido e uma lembrança: «Ajuda-me a não passar ao lado de alguém que precise de uma palavra amiga, de um gesto de ternura, de um olhar de compreensão e que eu, pela minha distração ou pressa, lho negue. Que eu seja manifestação do teu amor eterno para os irmãos que eu encontrar.»
Felizes os que se disponibilizam para amar quotidianamente! Salvam a sua vida do vazio e do inferno, e abrem para si mesmos e para os outros as portas do Céu.”

ALPHA Jovens Online – 18 Nov

Queremos começar em Coimbra um Alpha com jovens e adolescentes mais maduros (a partir dos 16 anos) nos serões de 10 quarta-feiras a partir de 18 de Novembro.

O que é o ALPHA Jovem?

Todos têm perguntas e Alpha é o lugar certo para trazê-las à conversa! O Alpha Jovens consiste numa série de doze episódios que exploram os fundamentos básicos da fé Cristã. Filmada em Vancouver, Londres, Paris e Jerusalém, a série foi projetada para envolver os convidados em conversas sobre fé, a vida e Jesus. Cada encontro do Alpha inclui descontração, um vídeo e conversa desinibida.

Este Alpha Jovens foi elaborado para jovens a partir dos 13 anos que estão a crescer e têm perguntas sobre a fé. Muitos jovens mais velhos em idade universitária também estão a fazer Alpha Jovens e propomos que dês uma vista de olhos aos primeiros episódios (link para a versão brasileira mais abaixo) para verificares como a série pode ajudar-te a responderes às tuas questões.

Os vídeos

Com a duração de entre 20 e 25 minutos, cada episódio do Alpha Jovens apresenta os fundamentos básicos da fé Cristã, abordando questões como “Quem é Jesus?”, “Como Podemos ter Fé?” “Por Que e Como Devo Orar?”.

Conversa

Em cada episódio há três pausas para desconversar! Essas pausas proporcionam uma oportunidade para partilhar opiniões e ideias sobre o assunto da sessão e comentá-las em pequenos grupos.

Inscrição

Ficha de inscrição